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Papa convida patriarcas a um estilo de vida sóbrio

21 nov, 2013 • Filipe d’Avillez

O Papa realça a importância de os patriarcas estarem próximos dos seus sacerdotes, o que é particularmente importante numa região como o Médio Oriente, onde as paróquias podem ser distantes, pobres e sujeitas a ataques e perseguições.  

Papa convida patriarcas a um estilo de vida sóbrio
Maronita, Rai, Rahi, Al-Rahi
O Papa Francisco pediu esta quinta-feira aos líderes das Igrejas católicas de rito oriental que sejam simples e sóbrios no seu estilo de vida.

Francisco recebeu os patriarcas e arcebispos-maiores em audiência, no Vaticano. Os líderes estão reunidos por estes dias em Roma para discutir o papel das Igrejas Orientais 50 anos depois do Concílio Vaticano II e também a situação dos cristãos no Médio Oriente.

Nas suas palavras aos patriarcas e arcebispos-maiores, Francisco citou várias vezes a exortação apostólica “Ecclesia in Medio Oriente” que Bento XVI entregou durante a sua visita ao Líbano em Setembro de 2012.

Mas o Papa também fez saber que deseja para as Igrejas Orientais e para os seus líderes o estilo sóbrio e simples que tem imprimido no Vaticano desde que assumiu o pontificado. Para Francisco o testemunho cristão só será credível se for associado a “um estilo de vida sóbrio, à imagem de Cristo, que se despojou para se enriquecer com a sua pobreza, com o zelo incansável e a caridade, fraterna e paterna, que os bispos, padres e fiéis, sobretudo os que vivem sozinhos e os marginalizados, esperam de nós”.

O Papa realça a importância de os patriarcas estarem próximos dos seus sacerdotes, o que é particularmente importante numa região como o Médio Oriente, onde as paróquias podem ser distantes, pobres e sujeitas a ataques e perseguições, como o Papa bem lembrou. Francisco falou numa “dívida” de todos os católicos com as Igrejas que vivem na Terra Santa, deixando um elogio à sua “paciência e perseverança” no ecumenismo e no diálogo inter-religioso.

“O Espírito Santo guiou-as nesta missão nos caminhos difíceis da história, alimentando-as na fidelidade a Cristo, à Igreja universal e ao sucessor de Pedro, ainda que com um alto preço, não raramente até ao martírio. Toda a Igreja vos está verdadeiramente grata por isso”, disse o Papa aos presentes.

A Igreja Católica é uma comunhão de mais de 20 igrejas autónomas, guiadas pelas suas próprias regras e traduções, mas que reconhecem a primazia do Papa. A maior das Igrejas orientais em comunhão com Roma é a Igreja Greco-Católica da Ucrânia, a que se segue a Igreja Maronita, sedeada no Líbano e a Igreja Síro-Malabar, da Índia.

Muitas das igrejas orientais permitem, por exemplo, a ordenação de homens casados e usam liturgias muito diferentes da católica actual. Estas diferenças não ferem a unidade, segundo o Papa: “A variedade autêntica e legítima, inspirada pelo Espírito, não prejudica a unidade, mas serve-a”, afirmou esta quinta-feira.

[Notícia actualizada às 12h52]