Tempo
|

Campanha de Natal da Ajuda à Igreja que Sofre apoia refugiados da Síria

08 nov, 2013 • Filipe d’Avillez

Rezar e estar informado sobre o que se passa é a melhor forma de ajudar os cristãos que são perseguidos naquele país árabe.

Campanha de Natal da Ajuda à Igreja que Sofre apoia refugiados da Síria
A campanha de Natal da fundação Ajuda à Igreja que Sofre vai reverter inteiramente para os refugiados da Síria.

Félix Lungu, da fundação, explica que esta é a uma forma concreta de ajudar um povo em grande sofrimento, cuja situação tem piorado desde o começo da Guerra Civil, em 2011. Calcula-se que mais de dois milhões de sírios sejam refugiados internos ou internacionais e países vizinhos como a Turquia, Líbano, Jordânia e Egipto estão a começar a sentir o peso das comunidades refugiadas. 

A melhor forma de se ajudar os sírios é manter-se informado e, para quem tem fé, rezar. “É preciso estar informado e querer saber o que se passa. Em Portugal também temos dificuldades e problemas, é preciso força de vontade para sairmos das nossas questões e olhar para fora para ver o que se passa na Síria", diz Félix Lungu.

“Para quem é cristão e tem fé, a força da oração também é muito importante, é uma ajuda pertinente e muito válida. Vimos isso recentemente na jornada de oração de dia 8 de Setembro quando o Papa convidou toda a gente para rezar e, por mais incrível que pareça, dois dias depois, encontrou-se um acordo e evitou-se uma intervenção militar por parte do Ocidente.”

O representante da fundação Ajuda à Igreja que Sofre falava durante um encontro com jornalistas promovido pelo Gabinete de Imprensa do Opus Dei, em Lisboa.

Durante uma curta conferência sobre a situação na Síria, Lungu explicou também porque é que a minoria cristã, cerca de 10% da população, sofre de forma particularmente dura naquele país: “Os cristãos apesar de serem uma minoria foram vistos como sendo próximos do Governo de Assad, o que deriva do facto de se sentirem protegidos pelo regime. Essa aproximação tem feito com que vários actos de violência e vingança tenham sido levados a cabo contra os cristãos.”

Um conflito (também) religioso
Apesar de ser apresentada frequentemente como uma luta entre os apoiantes da ditadura e os defensores da democracia, a realidade no terreno é muito mais complexa e a religião é um factor decisivo. “O conflito na Síria é bastante complexo, há de facto essa primeira aproximação, uma luta pela democracia e a liberdade, mas há outros interesses e o factor religioso é muito importante.”

“À primeira vista podemos ver um confronto entre sunitas e xiitas, duas facções do Islão, mas também no próprio Islão há outras minorias que estão implicadas, como por exemplo os alauitas, de que o Governo faz parte. São um grupo minoritário que tem o poder no partido e um papel muito importante.”

A fundação Ajuda à Igreja que Sofre é um movimento da Igreja Católica que ajuda materialmente as comunidades cristãs em maiores dificuldades. Todos os fundos e donativos recebidos são enviados para a sede da fundação, na Alemanha, e daí encaminhados directamente para as igrejas locais necessitadas, garantindo dessa forma que o dinheiro não é desviado pelas autoridades ou grupos locais activos no terreno.