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Movimento belga compara matança ritual a Holocausto

28 out, 2013

Grupos judeus e muçulmanos criticam nova tentativa de proibir a matança ritual de animais para consumo, dizendo que é uma banalização do genocídio dos judeus pelos nazis.

Um movimento de defesa dos direitos dos animais, na Bélgica, produziu um anúncio a apelar à proibição da matança ritual de animais para consumo, segundo as tradições judaicas e muçulmanas, que parece aludir ao ambiente do Holocausto.

As regras de ambas estas religiões indicam que os animais devem estar conscientes na altura em que são abatidos, caso contrário a carne é considerada impura e imprópria para consumo.

A legislação europeia ordena que os animais devem ser atordoados antes de serem abatidos, mas na esmagadora maioria dos países existem excepções para grupos religiosos. Ao longo dos últimos anos tem havido algumas tentativas infrutíferas de banir a prática em países europeus, nomeadamente na Holanda, e a Polónia tem neste momento uma proibição em vigor, devido a uma decisão do Tribunal Constitucional, que o Governo está a tentar ultrapassar.

O anúncio lançado na rádio na Bélgica, e enviado para todos os deputados, evoca o ambiente do Holocausto, causando grande revolta entre as comunidades judaica e muçulmana.

O anúncio do movimento Gaia é narrado por uma ovelha que começa por dizer: "Estávamos a dormir quando nos vieram buscar. Não compreendi o que diziam pois falavam uma língua estrangeira. Atiraram-nos para cima de camiões e levaram-nos para um edifício com sangue no chão. Sei o que me vai acontecer, mas apenas posso esperar".

A seguir uma outra voz diz: "Sem atordoamento, os animais percebem perfeitamente o que se passa num matadouro. Políticos, mudem a lei e proíbam a matança ritual". 

Uma porta-voz da Gaia, questionada pela Jewish Telegraph Agency, disse que o anúncio “é uma tentativa de descrever a experiência dos animais, sem qualquer conotação religiosa ou histórica”.

Mas a justificação não convence os grupos judeus. Um representante da comunidade judaica de Bruxelas disse, em comunicado, que o anúncio é mais um exemplo da banalização do crime de genocídio por parte dos activistas da Gaia.

Esta não é a primeira vez que um grupo de activistas pelos direitos dos animais utiliza o Holocausto para tentar fazer valer as suas opiniões. Em 2005, o grupo britânico PETA fez uma campanha contra o consumo de carne, intitulada "o Holocausto no seu prato", pelo qual acabou por pedir desculpa à comunidade judaica.