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Bispo diz que cortes salariais e desemprego são ataques à família

25 out, 2013 • Ângela Roque

“O trabalho e o salário justo são a única fonte capaz de garantir a dignidade do trabalhador e a dignidade da família, bem como a sua educação e a sua cultura”, recorda D. Antonino Dias.  

D. Antonino Dias considera que os cortes salariais podem ser equiparados a um ataque à família. Na véspera da Peregrinação das Famílias a Roma, o bispo português responsável por esta área garante que a Igreja está atenta às mudanças culturais e às políticas que não defendem a família, o casamento e a natalidade.

“O trabalho e o salário justo são a única fonte capaz de garantir a dignidade do trabalhador e a dignidade da família, bem como a sua educação e a sua cultura. Por isso, a falta de trabalho, a falta de emprego, a precariedade, as fracas condições de trabalho, o salário injusto, a concepção utilitarista do trabalho, tudo o que possa ofender a dignidade do trabalhador, e não contribua para a sua realização, para a dignidade da própria família, não é visto com bons olhos, e a Doutrina Social da Igreja sobre isso tem muita coisa clara para a qual devemos chamar também a atenção”, disse à Renascença.

O bispo acredita ainda que alguns empregadores estão a aproveitar-se da crise para explorar os trabalhadores: “Acredito que sim. Também acredito que a vida de alguns empregadores não seja fácil, mas é evidente que o trabalhador sofre com isso, e a família também”.

D. Antonino Dias lamenta que 30 anos depois a Carta dos Direitos da Família continue por cumprir em muitos dos seus pontos, e sublinha a questão do desemprego e dos cortes salariais: “Tudo quanto possa destruir a dignidade da pessoa e da família não vem por bem. O trabalho constitui o fundamento sobre o qual se edifica a família, é um direito fundamental, é a vocação da pessoa e é de importância capital para a realização do Homem e para o progresso da sociedade.”