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Papa avisa que “uma Igreja fechada no passado trai a sua identidade”

16 out, 2013 • Filipe d’Avillez

A audiência geral de Francisco foi dedicada a explicar o sentido da palavra "apostólica" e o que significa para a Igreja. Para o Papa, a Igreja é apostólica em primeiro lugar porque reza e prega o Evangelho.

Papa avisa que “uma Igreja fechada no passado trai a sua identidade”
Uma Igreja fechada no passado trai a sua identidade apostólica, alertou esta quarta-feira o Papa Francisco, ao falar sobre a importância da dimensão missionária da Igreja.

A catequese semanal das audiências gerais de quarta-feira foi dedicada a explicar o significado do termo “apostólica” que surge no Credo, quando os cristãos rezam “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”.

“Isto é importante, porque quando pensamos nos apóstolos, pensamos que andaram a anunciar o Evangelho e a fazer muitas obras, mas nos primeiros tempos da Igreja havia um problema, porque faziam tantas coisas que não tinham tempo para rezar. Por isso, ordenaram os diáconos para terem mais tempo para rezar e anunciar o Evangelho”, contou o Papa, aludindo ao que está escrito no livro dos Actos dos Apóstolos, no Novo Testamento. 

Francisco recordou que a Igreja de Roma é fundada sobre os apóstolos Pedro e Paulo e sublinhou que a principal função dos apóstolos, na Igreja primordial, era rezar e anunciar o Evangelho. Essa deve ser também a principal função dos seus sucessores - os bispos. 

O termo “apostólica” tem assim, na interpretação do Papa, três níveis de significado. Em primeiro lugar “a Igreja é apostólica porque fundada sobre a pregação e as orações dos apóstolos, sob a autoridade dada por Cristo. Os cristãos são pedras vivas que formam um edifício vivo que é a Igreja, fundada sobre os apóstolos. Sem Jesus não há Igreja. Sem Jesus não há igreja. Jesus é a base da Igreja, o fundamento.”

O segundo nível de entendimento tem a ver com o facto de a Igreja ser custódia e transmissora dos ensinamentos dos apóstolos e da Sagrada Escritura, tesouros guardados ao longo dos séculos.

“É como um rio que corre pela história, mas a água que corre é sempre a que vem da mesma fonte. Essa fonte é Cristo. A sua palavra não passa, porque ele não passa. Ele é vivo. Está no nosso coração. Ele está connosco hoje. Esta é a beleza da Igreja, a presença de Jesus Cristo connosco. Ele é vivo, porque ressuscitou.”

Este facto permite aos católicos terem a certeza que aquilo em que acreditam é realmente o que Cristo comunicou, explicou.

Para o fim o Papa deixou a vertente missionária da Igreja. “A Igreja é apostólica porque é enviada a espalhar o evangelho por todo o mundo. Mantém-se a missão que Jesus deu aos Apóstolos. Ide e fazei discípulos de todos os homens, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Francisco fez questão de insistir no aspecto missionário da Igreja e fez uma série de perguntas à multidão que preenchia a Praça de São Pedro. “Cristo manda-nos ao encontro dos outros. Somos missionários com a nossa palavra? Mas sobretudo com a nossa vida cristã? Com o nosso testemunho? Ou somos cristãos fechados no nosso coração e a na nossa Igreja? Cristãos da sacristia? Cristãos de palavra mas que vivem como pagãos?”

“Uma Igreja que se fecha no passado, ou uma Igreja que guarda as pequenas regras é uma Igreja que trai a própria identidade. Recuperemos hoje toda a beleza e a responsabilidade de ser uma Igreja Apostólica. Apostólica porque reza e porque anuncia o Evangelho com a vida e com a palavra”, concluiu o Santo Padre.