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“Nem os nossos mortos estão seguros nas sepulturas”

08 out, 2013

Não são só os cristãos que sofrem perseguições no Paquistão. Esta terça-feira um grupo de muçulmanos desenterrou e arrastou pelas ruas o cadáver de um hindu na província de Sindh.

“Nem os nossos mortos estão seguros nas sepulturas”
Hinduísmo Paquistão
O cadáver de um homem hindu de 30 anos, sepultado no sábado, foi desenterrado e arrastado pelas ruas da vila de Pangrio, no Paquistão.

Um grupo de muçulmanos fundamentalistas contestava a localização da sepultura, pelo que decidiu profanar o túmulo e o cadáver.

O incidente é o mais recente numa longa história de perseguição contra minorias religiosas neste país de maioria islâmica. Nas últimas semanas, o bombardeamento de uma igreja matou mais de 80 cristãos e os xiitas, uma minoria muçulmana, tem sido muito afectada por atentados.

Há cerca de dois milhões de hindus no Paquistão, um país de 180 milhões de pessoas, a esmagadora maioria muçulmana sunita. Historicamente, os hindus, que vivem quase todos na região de Sindh, têm convivido com os seus vizinhos muçulmanos, mas o aumento do fundamentalismo islâmico têm levado a um agravar da discriminação.

O facto de os hindus serem associados à Índia, a principal inimiga e rival do Paquistão, não ajuda em nada esta comunidade. Ironicamente, apesar de a Índia ser um país de maioria hindu, vivem mais muçulmanos naquele país do que no Paquistão.

Citado pela Reuters, Narayan Das Bheel, um membro da comunidade Sindh, lamentou que “já nem os nossos mortos estão seguros nas suas sepulturas”.

Depois do acto de profanação a polícia tomou conta da ocorrência para evitar confrontos entre as duas comunidades.