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Vaticano suspende diplomata acusado de abusos sexuais

05 set, 2013

O núncio apostólico vai ser investigado pela Santa Sé, mas pode escapar à justiça da República Dominicana por ter imunidade diplomática.

A Santa Sé chamou o seu embaixador na República Dominicana e suspendeu-o, por suspeita de pedofilia.

O núncio apostólico, nome dado aos embaixadores da Santa Sé, estava no país há seis anos.

Segundo o responsável da sala de imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, o Arcebispo Josef Wesolowski foi chamado de volta a Roma “nas últimas semanas”, antes, sequer, de as alegações se terem tornado públicas, através de reportagens em dois canais de televisão.

“Ele foi suspenso e a Santa Sé iniciou uma investigação”, explicou Lombardi.

Wesolowski pode ser acusado pela justiça do Vaticano e, eventualmente, reduzido ao estado laical e detido, mas não é certo que possa ser levado a tribunal pela justiça da República Dominicana, uma vez que goza de imunidade diplomática. Apenas a própria Santa Sé pode decidir retirar-lhe esse estatuto.

A procuradora pública do distrito de Santo Domingo, na República Dominicana, já indicou, contudo, que é essa a vontade do seu país, considerando que o núncio “deve ser investigado e punido na República Dominicana, e não na Santa Sé”. 

O paradeiro de Wesolowski não é conhecido, mas, segundo a imprensa local, terá deixado a República Dominicana no início de Agosto.

A confirmarem-se as alegações, o núncio tornar-se-á no segundo clérigo polaco acusado de abusos sexuais sobre menores na República Dominicana. Em Maio, um sacerdote de uma paróquia rural foi acusado de assediar acólitos. Mal as acusações dos fiéis foram conhecidas, o padre Wojciech Gil foi suspenso pelo Vaticano. Na altura, encontrava-se de férias no seu país-natal.