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Papa cria comissão pontifícia para arrumar melhor "a casa"

19 jul, 2013 • Aura Miguel, em Roma

Novo organismo é composto por leigos especialistas e tem por objectivo elaborar soluções estratégicas, evitar gastos exagerados e favorecer uma maior transparência de utilização de bens e serviços.

O Papa Francisco quer arrumar a “casa”, mas precisa de saber o que lá existe e como está a funcionar. Por isso, nomeou uma comissão pontifícia destinada a organizar a estrutura económico-administrativa do Vaticano.

A missão da nova estrutura é simplificar e racionalizar os organismos existentes e programar a actividade económica de todas as administrações vaticanas.

Esta comissão passa a oferecer apoio técnico e especializado para elaborar soluções estratégicas de melhoramento, evitar gastos de recursos económicos, favorecer a transparência na aquisição de bens e serviços, melhorar a administração do património móvel e imóvel, agir com prudência a nível financeiro e contabilístico e a garantir assistência de saúde e segurança social a todos os que têm direito.

Uma tarefa imensa para esta nova comissão de oito membros, composta essencialmente por leigos especialistas em assuntos jurídicos, económicos, financeiros e de gestão, provenientes de vários países - Malta, França, Espanha, Alemanha e Itália -, e inclusive tem um membro de Singapura que foi ministro das Finanças e do Comércio.

Esta estutura reporta directamente ao Papa e colabora com o conselho dos oito cardeais escolhido por Francisco no início do seu pontificado para o ajudar na reforma das instituições da Santa Sé.

A comissão agora nomeada tem já marcada a sua primeira reunião com o Papa, logo depois de regressar do Brasil.

Segundo o padre Federico Lombardi, director da Sala de Imprensa da Santa Sé, a criação da comissão não implica qualquer distúrbio no habitual funcionamento das instituições: “As instituições continuam a existir e a funcionar com toda a sua organização. Por isso a comissão não vai substituir o governo das várias instituições, mas vai recolher informações para projectar eventuais soluções de melhoramento. Mas todos os chefes das instituições permanecem nos seus cargos de poder e responsabilidade.
Isto é importante para perceber a natureza da comissão que existe para apresentar relatórios, e não para intervir”, explicou.

[Notícia actualizada às 15h31]