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Faltam mais de 170 bispos à Igreja Católica

15 jul, 2013 • Filipe d’Avillez

Lentidão na criação de novos bispos está a preocupar vários países. Em Portugal, aguarda-se a nomeação de um prelado para o Porto e de outro para as Forças Armadas.

O  Papa Francisco já nomeou, desde que foi eleito, em Março, dezenas de bispos, mas há cerca de 170 dioceses, ou equivalente, que estão sem prelado.

O dado é avançado pelo site “Catholic Hierarchy”, um portal independente da Igreja que fornece informação actualizada sobre a hierarquia católica a nível mundial.

Nesta listagem, que não inclui dados relativos à China, inclui-se a diocese do Porto, que ficou sem bispo com a elevação de D. Manuel Clemente a Patriarca de Lisboa.

Apesar de não haver mais nenhuma diocese sem bispo em Portugal, aguardam-se, pelo menos, mais duas nomeações para breve, incluindo a de um novo bispo-auxiliar para Lisboa -que costuma ter três, mas, neste momento, tem apenas dois - e de um bispo para as Forças Armadas, cujo ordinário, D. Januário Torgal Ferreira, já enviou para Roma o pedido de resignação por limite de idade.

O Papa pode nomear alguém para assumir o cargo de bispo das Forças Armadas a tempo inteiro ou, então, optar por escolher um regresso ao modelo antigo, em que outro bispo - normalmente, um dos auxiliares de Lisboa - acumula o cargo.

Há ainda dois bispos, os de Angra do Heroísmo e de Beja, que manifestaram a intenção de pedir a Roma um coadjutor. A diferença entre um bispo coadjutor e um auxiliar é que o coadjutor ganha o direito de suceder ao bispo diocesano logo quando este resigna.

A Península Ibérica está bem servida de bispos, actualmente, uma vez que nenhuma das 70 dioceses de Espanha está vaga. França tem apenas duas dioceses sem bispo, embora uma delas aguarde a nomeação desde Janeiro de 2013.

Mas há outros países em que a situação é mais grave. Os Estados Unidos aguardam a nomeação de oito bispos diocesanos e no Brasil, que é, demograficamente, o maior país católico do mundo, falta nomear sete, sendo que a Prelatura Territorial de Paranatinga está sem ordinário desde Dezembro de 2011.

Uma vez que os EUA têm 197 dioceses e o Brasil um total de 274, o problema pode, proporcionalmente, não parecer dramático, mas o mesmo não se aplica, por exemplo, à Escócia, onde apenas metade das oito dioceses têm bispo, e às Filipinas, onde nove das 86 dioceses estão sem bispo.

Nalguns países, os processos estão tão demorados que há dioceses que caminham para o seu quarto ano sem bispo, como é o caso de Wilcannia-Forbes, na Austrália, e Mansa, na Zâmbia, segundo dados apurados pelo jornal “National Catholic Register”, dos EUA.

Todos os bispos da Igreja Católica Romana, tal como alguns das Igrejas Católicas Orientais, são nomeados pelo Papa. O processo começa no terreno, com o núncio apostólico, representante diplomático do Papa, a recolher dados sobre possíveis candidatos e a enviá-los para Roma, à Congregação para os Bispos.

Normalmente, é depois elaborada uma lista de três nomes, conhecida como terna, com um nome destacado, que o Papa pode confirmar ou não.