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Primeira encíclica de Francisco fala de uma fé que ilumina

05 jul, 2013 • Aura Miguel

"A Luz da Fé" explica que a fé não deve ser intransigente nem o crente arrogante e isto deve ser reflectido num diálogo, a todos os níveis, entre a fé e a ciência ou com outras religiões e com os não crentes.

Primeira encíclica de Francisco fala de uma fé que ilumina
Primeira encíclica de Francisco fala de uma fé que ilumina
A nova encíclica "A Luz da Fé", apresentada esta manhã em Roma, explica que a fé não deve ser intransigente nem o crente arrogante e isto deve ser reflectido num diálogo, a todos os níveis, entre a fé e a ciência ou com outras religiões e com os não crentes. O texto começou a ser escrito por Bento XVI, com o objectivo de ser apresentado durante o Ano da Fé, mas foi terminado pelo Papa Francisco, sendo, por isso, um documento que goza das duas influências.
A nova encíclica, “A Luz da Fé”, apresentada, esta manhã, em Roma, é composta por 80 páginas, divididas em quatro capítulos.

A encíclica propõe-se a iluminar a vida do homem, ajudá-lo a distinguir o bem do mal, sobretudo, nesta época em que a sociedade opõe a crença à investigação e a fé à liberdade.

A Fé não é uma ilusão, mas ajuda a iluminar toda a existência do homem, diz o texto. Traçando um percurso de Abraão até Cristo, o Papa explica que a fé abre o homem a uma realidade muito maior do que si mesmo, onde o individualismo não tem lugar, porque a fé não é um facto privado.

A encíclica explica que a fé não deve ser intransigente nem o crente arrogante e isto deve ter reflexo num diálogo, a todos os níveis, entre a fé e a ciência ou com outras religiões e com os não crentes.

O texto sublinha, ainda, a profunda ligação e a relação triangular entre Fé, Verdade e Amor.

Um dos capítulo olha para a fé como bem comum, com reflexos a nível da família e casamento, dos jovens, das relações sociais, respeito pela natureza e no mundo do sofrimento e da morte. Os cristãos não devem envergonhar-se de confessar Deus publicamente, uma vez que a fé ilumina a vida social, nem permitir que lhes roubem a esperança com soluções imediatas que bloqueiem o caminho.

"A Luz da Fé" surge em continuidade do magistério da Igreja mas desmonta de forma interessante objecções modernas que confiam mais na luz da razão do que na luz da fé e desarma quem pensa que a fé é uma luz ilusória ou obscurantista. A luz da razão autónoma não consegue iluminar tudo, e o homem que renuncia à busca da verdade contenta-se com pequenas luzes que não desvelam o caminho, lê-se.

O texto desta encíclica começou a ser escrito por Bento XVI, com o objectivo de ser apresentado durante o Ano da Fé, mas foi terminado pelo Papa Francisco, sendo, por isso, um documento que goza das duas influências. Contudo, a encíclica apresenta apenas a assinatura de Francisco uma vez que, segundo o Cardeal Marc Ouellet, que apresentou o texto, "só temos um Papa, que é Francisco".

O mesmo Cardeal, que é prefeito para a Congregação dos Bispos, explica que "A Luz da Fé" reflecte "muito de Bento XVI e tudo do Papa Francisco".

A encíclica já se encontra disponível em português no site do Vaticano.

[Notícia actualizada às 13h32]