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Racismo na base de assassinato de judeu no Muro das Lamentações

04 jul, 2013

Primeiros relatos diziam que Doron Ben-Shalush teria gritado “Allahu Akbar” antes de ser morto a tiro por um segurança, mas nova versão é de que a vítima teria insultado o guarda à entrada do espaço sagrado.

O judeu que foi morto a tiro por um segurança no Muro das Lamentações, no passado dia 21 de Junho, pode ter sido alvo de vingança por parte do homem que o atingiu.

Nas primeiras notícias sobre o incidente, o segurança, que na altura não foi identificado, disse que agiu em legítima defesa depois de a vítima, Doron Ben-Shalush se ter aproximado dele, posto a mão ao bolso, e gritado “Allahu Akbar”, que significa “Deus é Grande”, em árabe, e é uma expressão frequentemente usada por extremistas islâmicos. O comportamento teria levado o segurança a temer que Ben-Shalush ia puxar de uma arma, pelo que atirou sobre ele.

Contudo, os dados que estão a surgir durante os primeiros dias do julgamento apontam para uma realidade bem diferente. O segurança, entretanto identificado como Hadi Kabalan, bem como os seus colegas de serviço naquele dia, é da comunidade e religião drusa.

Segundo foi testemunhado diante dos tribunal de Jerusalém, a polícia suspeita que à entrada do recinto Ben-Shalush foi revistado por Kabalan e outro segurança e que teve início uma discussão entre Kabalan e o judeu, que terminou com este a gritar ofensas de teor racista contra Kabalan e os drusos em geral.

Então Kabalan terá perguntado aos seus colegas, também drusos, se lhe pagavam o equivalente a cerca de 200 euros para matar Ben-Shalush. Quando o fiel judeu se preparava para sair, segundo a polícia diz ter apurado, Kabalan aproximou-se dele e deu-lhe 10 tiros pelas costas.

Os drusos são uma comunidade étnica e religiosa à parte tanto de judeus como de muçulmanos, que têm uma presença significativa naquela região do Médio Oriente, com destaque para Israel, Síria e Líbano.

Considerados os descendentes dos fenícios, são tidos em grande conta como combatentes e têm fama de fidelidade aos países em que vivem. Em Israel, ao contrário das populações árabes, os drusos costumam servir nas Forças Armadas e muitos arranjam trabalho em empresas de segurança privada.