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Porto agradece a D. Manuel Clemente

26 jun, 2013

O Palácio da Bolsa abre as portas a todos para "uma homenagem dos afectos a D. Manuel". Provedor da Santa Casa da Misericórdia compara o novo Patriarca de Lisboa a D. António Ferreira Gomes.

Porto agradece a D. Manuel Clemente
Bispo do Porto No Caminho das Dioceses

O provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP), António Tavares, compara a acção de D. Manuel Clemente na Diocese do Porto à de D. António Ferreira Gomes, o bispo que afrontou Salazar.

"O trabalho que ele desenvolveu na diocese do Porto nestes seis anos fez lembrar, imediatamente, o trabalho de um outro grande bispo do Porto, que foi D. António Ferreira Gomes", diz Tavares à Renascença, rejeitando que haja exagero na comparação: "Cada um no seu tempo, na sua época, marca de uma maneira muito acentuada a Igreja do Porto".

"A D. Manuel Clemente coube a responsabilidade de ser um bispo do séc. XXI, num regime aberto, democrático, livre, e num ciclo marcado por uma crise profunda, facto que o levou a ter uma proximidade muito acentuada junto das pessoas, pelo que, nesse domínio, podemos fazer a comparação, tal como no domínio do pensamento e das ideias", sustenta Tavares.

"[D. Manuel Clemente] é alguém que sempre aceitou discutir", reforça o provedor da SCMP, acrescentando que, tal como D. António no seu tempo, D. Manuel "também acreditou nos homens".

Nesta quarta-feira em que a SCMP promove, no Palácio da Bolsa, uma homenagem ao bispo que deixa a diocese - "uma homenagem dos afectos a D. Manuel" -, o provedor da instituição sublinha a facilidade com que foram reunidas vontades e adesões: "Não foi nada difícil, foi mesmo muito fácil. Houve uma adesão muito grande, com pessoas, espontaneamente, a pedirem para estar presentes, mesmo pessoas que, não sendo crentes, reconhecem a D. Manuel Clemente um papel de referência na Igreja portuguesa".

António Tavares diz que D.Manuel deixa "um legado rico em ideias e um pensamento estruturado em volta da doutrina social da Igreja", a par de uma acção marcada pela "participação muito próxima de todos os cidadãos e de todas as instituições". Trata-se, também, de "um legado de responsabilidade, porque, inevitavelmente, quem vier a seguir vai ser sujeito a um grau de comparação muito exigente".

"Manter este nível não será fácil para quem vier", remata António Tavares.

Portas da Bolsa abertas a todos
À ideia da SCMP de promover a homenagem desta quarta-feira associaram-se todas as instiuições da cidade, como a Câmara Municpal, a Universidade e a Associação Comercial do Porto, que, inclusivamente, cede a sua casa.

O pesidente da associação, Rui Moreira, diz à Renascença que a porta está aberta a toda a gente: "Esperamos que os cidadãos do Porto possam, todos eles, vir, porque é completamente livre a entrada".

"Isto não é uma coisa de 'vips'", reforça o presidente da Associação Comercial do Porto.

No balanço destes seis anos, Rui Moreira considera que foi "uma bênção para a cidade do Porto ter um bispo como" D. Manuel, destacando o seu discurso "não exibicionista", mas "muito reivindicativo", porque é importante "que haja vozes livres que digam as coisas com muita educação e com muito cuidado".

"Ele, como é, acima de tudo, um filósofo e, ainda por cima, tem um conhecimento enorme da História, sabe que este não é um tempo de incendiar as coisas. Ele é muito mais um bombeiro do que um incendiário e isso é uma característica extraordinária", sustenta.

O presidente da Associação Comercial do Porto nota que D. Manuel tem "uma visão da descentralização, da necessidade de cobrir o país, que não pode estar tão inclinado para o sul e para a capital" e, passando a ser Patriarca, terá, neste campo, "um papel fundamental a desempenhar".

"Nós, no Porto, estamos um pouco cansados que nos digam que nós somos muito trabalhadores e que aqui se come muito mais e melhor. Estamos à espera de mais alguma coisa e eu acredito que a palavra da Igreja, nesse aspecto, é muito relevante. Espero que ele continue a lutar. Tenho a certeza que ele vai continuar a pugnar por esse nosso interesse comum", remata Rui Moreira.