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Igreja angolana preocupada com seca que afecta 800 mil pessoas

25 jun, 2013

Bispos de Angola lançam uma campanha de solidariedade para ajudar as vítimas, sobretudo nas províncias de Cunene, Huíla, Namibe, Benguela e Cuando Cubango.

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) está preocupada com a situação da seca que afecta cerca de 800 mil pessoas no sul do país e deu início a uma “Campanha de Solidariedade”.

Em nota de imprensa, citada esta terça-feira pelo Jornal de Angola, a CEAST avança que esta campanha tem como objectivo sensibilizar todas as igrejas e a sociedade em geral para dar apoio aos que vivem “necessidades extremas”.

“A falta de alimentos e água faz com que as populações se alimentem de raízes e frutos silvestres, o que tem causado problemas de saúde sobretudo às crianças”, diz a CEAST, para ilustrar a sua preocupação.

A Caritas Diocesana vai coordenar a logística, que deverá ser constituída por bens alimentares não perecíveis e água potável, para a sua distribuição nas zonas mais afectadas, nomeadamente as províncias do Cunene, Huíla, Namibe, Benguela e Cuando Cubango.

O primeiro alerta para esta situação de “emergência” foi dado em Maio pelo governador da província do Cunene, António Didalelwa, que apontava para a falta de alimentos e de água para as pessoas e o gado.

“A população está a passar momentos difíceis, porque há dois anos que praticamente não chove nas suas regiões, facto que está a prejudicar a economia das famílias, cuja base de subsistência é a agricultura e a criação de gado”, descrevia na altura António Didalelwa, em declarações ao Jornal de Angola.

Em declarações à Lusa, em Maio, o bispo de Ondjiva, Pio Hipunyati, considerou a seca que atinge a região como “a mais severa dos últimos anos”, ameaçando cerca de um milhão de pessoas.

Essa situação levou a Comissão Económica do Conselho de Ministros a anunciar um Plano de Emergência para o Cunene, que é executado por uma comissão coordenada pelo Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial e integrada pelos Ministérios da Administração do Território, Assistência e Reinserção Social, Agricultura, Saúde, Energia e Águas e pelo Governo da Província do Cunene.

“O referido plano tem por objectivo garantir de imediato assistência médica e medicamentosa, bens alimentares e distribuição de água potável às populações mais carenciadas”, acentuava o comunicado saído da reunião.

Para avaliar o impacto da seca na região sul, uma delegação do Governo, chefiada pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Afonso Canga, visitou recentemente a província o Cunene, tendo, na “jornada de algumas horas”, distribuído bens alimentares e medicamentos e sido informada sobre a situação actual da seca, escreveu esta terça-feira o diário angolano.