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Cristãos da Síria condenam decisão de armar rebeldes

20 jun, 2013 • Filipe d’Avillez

Patriarca Greco-Ortodoxo de Antioquia, irmão de um dos dois bispos raptados em Abril, diz que estes estão vivos e detidos na Turquia.  

Cristãos da Síria condenam decisão de armar rebeldes
Gregorios, Melquita
Os líderes das principais confissões cristãs na Síria condenaram esta semana a decisão dos Estados Unidos de enviar armas e apoio logístico para os rebeldes que combatem contra o regime de Bashar al-Assad.

Esta decisão levará a população a enfrentar “ainda mais problemas” do que se tem verificado até agora.

“É como se o mundo já não conseguisse compreender outra coisa que não a linguagem das armas, guerra, destruição, violência e terrorismo”, afirmou o Patriarca Gregório III Laham, da Igreja Melquita, em comunhão com a Igreja Católica.

Segundo o Patriarca, que esteve reunido com os restantes bispos melquitas num sínodo que decorre em Beirute, no Líbano, as armas apenas vão servir para alimentar “a violência e o ódio, levar a mais mortes, destruição, deslocalização e sofrimento económico, social, de saúde e para as famílias, jovens, estudantes e trabalhadores”.

As Igrejas Greco-Ortodoxa e Melquita estão reunidos em sínodos simultâneos, ambos em Beirute. As duas confissões, que juntas representam a maioria dos cristãos sírios e gozam de excelentes relações ecuménicas, emitiram um comunicado conjunto apelando à unidade dos cristãos e à libertação dos dois bispos raptados em Abril deste ano, perto de Alepo.

Um dos bispos é irmão do actual Patriarca ortodoxo, João X Yazigi. Falando no seu sínodo, o Patriarca diz que o seu irmão está vivo ainda, que sabe que está a ser mantido em cativeiro na Turquia, mas que não conseguiu ter qualquer contacto com os raptores.

Os cristãos formam cerca de 10% da população da Síria, estando divididos em muitas confissões diferentes. No regime de Bashar al-Assad a Síria era considerada um dos países mais estáveis para cristãos em todo o Médio Oriente, uma vez que o ditador controlava e impedia a ascensão de qualquer movimento fundamentalista islâmico, sendo ele mesmo membro de uma seita minoritária, os alauitas.

A esmagadora maioria dos rebeldes são membros da maioria sunita, embora alguns cristãos também tenham apoiado o movimento contra o regime.