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D. José Policarpo

Aborto e casamento entre homossexuais são exemplos "chocantes" do rumo da cultura

20 jun, 2013 • Ecclesia

Patriarca emérito de Lisboa encerrou as jornadas pastorais do episcopado com palavras fortes sobre o estado da sociedade portuguesa.

O patriarca emérito de Lisboa, D. José Policarpo, disse, na quarta-feira, que a legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o “mais chocante” exemplo da recente evolução cultural em Portugal.

Na conferência que encerrou as jornadas pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), em Fátima, o cardeal D. José referiu que, nas sociedades actuais, “toda a realidade humana, independentemente do seu sentido ético, passa a ter direitos de cidade, regulados pela lei”.

O Patriarca emérito de Lisboa considerou que, neste “positivismo”, as leis não são tanto “propostas éticas” que ditam “caminhos de verdade e do bem”, mas “regulação da realidade humana, seja ela qual for”.

“Aborto clandestino era uma realidade preocupante? Legaliza-se a interrupção voluntária da gravidez, relativizando o sentido ético da interrupção violenta da vida”, exemplificou D. José Policarpo.

“A homossexualidade é uma realidade, pessoas do mesmo sexo estabelecem relações amorosas que, na antropologia cultural, são próprias da relação do homem com a mulher? Estabelece-se a igualdade de género, sendo a opção homossexual tão verdadeira como a heterossexual, permite-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo e está-se à beira de permitir adopção de crianças por esses pares de pessoas do mesmo sexo”, prosseguiu.

D. José Policarpo sustentou que estes dois casos, protegidos por lei, estão em “total ruptura com a visão do homem em sociedade, enraizada no direito natural e aprofundada na visão cristã da sociedade”.

Para o Patriarca emérito de Lisboa, na origem destas mudanças culturais está “o enfraquecimento do sentido de eternidade”, com consequências na “percepção da realidade”, cada vez mais caracterizada por uma “teoria segundo a qual só a verificação situa o homem perante o que é real”.

“Isto levou a um ‘positivismo’ na análise da realidade, que pode tender para uma limitação desse horizonte da realidade”, disse D. José.

O cardeal Policarpo disse também que outra concretização do “positivismo na evolução da cultura” é a “redução ao económico, ao lucro, aos bens materiais das realidades que os homens buscam e pelas quais lutam”.

“A felicidade do homem não passa só por aí, mas pela busca do amor, da beleza, da convivência fraterna. O economicismo, os mecanismos financeiros, a ânsia do lucro atrofiam o horizonte da beleza da vida na variedade das suas expressões”, sublinhou.

A conferência de D. José Policarpo, sobre ‘A evolução cultural e a evolução da sociedade portuguesa’, encerrou as Jornadas Pastorais do Episcopado, que hoje terminaram em Fátima, onde esteve em análise o tema “A organização da sociedade à luz da doutrina social da Igreja”.