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Teologia do Corpo

“O nosso corpo foi feito para a comunhão”

14 jun, 2013

Já está a decorrer em Fátima um simpósio sobre a Teologia do Corpo, que reúne centenas de participantes e vários especialistas sobre este tema, desenvolvido por João Paulo II.

O termo “Teologia do Corpo” nasceu de uma série de catequeses feitas por João Paulo II no início do seu pontificado. O Papa polaco estava há muitos anos ligado ao assunto, tendo acompanhado casais na diocese de Cracóvia e tendo feito parte da comissão que redigiu o primeiro esboço do Humanae Vitae, o documento de Paulo VI que reafirmou a posição da Igreja sobre contracepção e outros temas ligados à sexualidade humana.

“O Papa diz que a relação sexual é o lugar da maior intimidade, onde as pessoas se entregam mais, porque entregam não só o seu pensar, não contam apenas as suas ideias, entregam-se a si próprias”, explica o padre Miguel Pereira, um dos organizadores do simpósio.

“Depois de se entregar na relação sexual que tem com o meu cônjuge não há mais nada a entregar, porque já entregou o seu corpo, é por isso que também existem tantas feridas, em tantos e tantos casais, que não se respeitaram nessa entrega. Porque sendo esse um lugar para chegar tão alto ao amor de Deus, se em vez de amarmos utilizarmos as pessoas também se desce muito fundo, deixam-se marcas muito profundas”, diz ainda o sacerdote.

Contrariamente ao estereótipo que ainda existe em relação ao que a Igreja ensina sobre a sexualidade humana, a Teologia do Corpo apresenta uma visão extremamente positiva desta realidade. Um autêntico tesouro que, por essa mesma razão, deve ser protegido: “As pessoas ficam muito admiradas quando falamos da Teologia do Corpo e da maneira que a sua sexualidade foi feita para chegarem tão alto, muitas vezes foram instruídas de forma a privilegiar o espiritual e a descurar o seu corpo”.

“Hoje em dia as pessoas precisam muito disso, de saber que o seu corpo é o maior tesouro que têm, e é por isso que devem respeitá-lo imenso. Quando a Igreja diz que devemos cobrir o corpo e vestir-nos dignamente, não expormos muito o nosso corpo porque pode ser olhado indignamente, não é porque diga que o corpo é mau, pelo contrário, diz que o corpo é muito bom e se tens um tesouro não o dês a qualquer um, dá-o a quem o possa respeitar verdadeiramente”, insiste o padre Miguel.

Alternativas à Procriação Medicamente Assistida
Maria José Vilaça, outra das pessoas responsáveis pela organização deste simpósio em Portugal, explica que ao longo destes dias, até Domingo, serão muitos os temas abordados, desde a homossexualidade à pornografia, passando pela experiência do aprofundamento da teologia do corpo em África.

Há ainda tempo para uma exposição sobre uma tecnologia muito pouco conhecida em Portugal: “Vamos ter uma apresentação sobre a NaProTechnology, que é uma alternativa à procriação medicamente assistida. Vem cá o professor Phil Boyle falar de um estudo que fez com 400 casais que passaram pela procriação medicamente assistida e não tiveram sucesso, e que teve consequências complicadas na vida deles. Ele vem-nos dar o resultado desta investigação depois de ter usado esta ‘Natural Procreation Technology’”.

O encontro termina no Domingo com uma manhã dedicada à ligação entre a Teologia do Corpo e a Nova Evangelização.