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Enviado muçulmano em Roma para restaurar diálogo com a Igreja

07 jun, 2013

Mahmoud Abdel Gawad quer que o Papa Francisco faça um discurso a dizer que o Islão é uma religião de paz, mas recusa-se a conversar com “israelitas”.

Enviado muçulmano em Roma para restaurar diálogo com a Igreja
A Universidade de Al-Azhar, no Cairo, enviou a Roma um representante diplomático com o objectivo de restaurar o diálogo com a Igreja Católica.

Em entrevista ao jornal italiano “Il Messagero”, Mahmoud Abdel Gawad afirmou que, com o novo Papa, há renovadas possibilidades de entendimento, uma vez que “os problemas que tínhamos não eram com o Vaticano, mas com o antigo Papa [Bento XVI]”.

Segundo o enviado, “Francisco é um novo Papa” e, se “um dos seus discursos fosse para declarar que o Islão é uma religião pacífica e que os muçulmanos não procuram a guerra ou a violência, seria um progresso”.

Contudo, quando questionado sobre a possibilidade de o diálogo ser tripartido, incluindo os judeus, Gawad é peremptório ao dizer que não fala com israelitas.

O enviado do Al-Azhar, considerado a sede do ensino islâmico em todo o mundo muçulmano de tradição sunita, referiu que o gesto do Papa na Quinta-feira Santa, de ter lavado os pés a uma rapariga muçulmana, foi “muito respeitado” no mundo islâmico.

Mahmoud Abdel Gawad convidou o novo Papa a visitar a universidade de Al-Azhar, no caso de viajar para o Egipto para visitar Tawadros II de Alexandria, líder da Igreja Copta Ortodoxa, afirmando que, “nesse momento, o diálogo seria imediatamente restaurado”.

Os coptas são os cristãos nativos do Egipto, que se queixam de descriminação e perseguição às mãos da maioria muçulmana.

O diálogo entre o Islão e a Igreja Católica sofreu um revés em 2006, quando Bento XVI citou uma passagem medieval que descrevia o Islão como uma religião violenta. Mais tarde, por iniciativa de um grupo de líderes muçulmanos, o diálogo foi retomado mas foi novamente interrompido, da parte do Al-Azhar, quando em 2011 o Papa pediu maior protecção para as minorias cristãs nos países muçulmanos, após um grave ataque a uma igreja copta no Egipto.