Tempo
|

É preciso reflectir mais sobre lei da co-adopção, diz D. Jorge Ortiga

06 jun, 2013

Arcebispo de Braga lamenta que a sociedade portuguesa se tenha habituado a não participar, “a nossa cidadania não é activa, desinteressamo-nos, deixamos andar as coisas”.

É preciso reflectir mais sobre lei da co-adopção, diz D. Jorge Ortiga
O Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social congratula-se com a notícia da criação de um grupo de trabalho na Assembleia da República para discutir na especialidade o projecto de lei do PS que permite a co-adopção de crianças por homossexuais.

A Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República estabeleceu o prazo indicativo de um mês para o funcionamento deste grupo de trabalho, a quem caberá chegar a um entendimento sobre as entidades e pessoas a ouvir e o calendário das audições.

D. Jorge Ortiga considera importante uma reflexão ponderada sobre os temas fracturantes: “Congratulo-me com a criação desse grupo de reflexão porque a sociedade portuguesa tem-se debatido nos últimos tempos com alguns temas fracturantes, que aparecem na agenda do Parlamento, quase do dia para a noite, sem a conveniente reflexão”.

O Arcebispo de Braga confessa que essa falta de reflexão possa não se aplicar sempre aos deputados: “embora pareça que desta vez isso tenha acontecido”.

Recorde-se que no dia da votação vários deputados, sobretudo dos partidos da coligação, estavam ausentes do plenário.

A maior crítica de D. Jorge dirige-se, contudo, à sociedade: “Sei que a sociedade portuguesa se habituou a não participar, a nossa cidadania não é activa, desinteressamo-nos, deixamos andar as coisas, mas é bom que apareçam grupos, comissões, para poder reflectir”.

A Igreja Católica tem condenado fortemente a lei da co-adopção, que permite a casais do mesmo sexo tornarem-se pais adoptivos de crianças. As críticas têm partido tanto do novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, como do próprio D. Jorge Ortiga, que no passado domingo criticou severamente a lei e os seus propósitos durante a homilia da sua missa dominical.