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Ultra-ortodoxos vão ter de ir à tropa em Israel

29 mai, 2013

Pela primeira vez numa década a coligação no Governo não inclui nenhum partido ultra-ortodoxo, o que facilitou uma decisão considerada polémica na sociedade israelita.

Ultra-ortodoxos vão ter de ir à tropa em Israel
O Governo israelita anunciou esta quarta-feira que os membros das comunidades ultra-ortodoxas no país vão ter de cumprir o serviço militar, tal como faz o resto da população judaica.

Tradicionalmente os homens haredi, como são conhecidos os ultra-ortodoxos, dedicam-se exclusivamente ao estudo das sagradas escrituras judaicas, vivendo na maior parte de subsídios governamentais. Este sector da população, minoritário no país mas em grande crescimento, estava também isento de cumprir o serviço militar.

Contudo, com a nova decisão anunciada esta quarta-feira, dos 8.000 homens que normalmente pedem isenção, apenas serão dadas 1.800 dispensas por ano.

A nova lei enfureceu a comunidade ultra-ortodoxa, que se manifestou publicamente nas últimas semanas.

Em Israel a esmagadora maioria dos jovens devem cumprir o serviço militar obrigatório quando cumprem 18 anos. As excepções abrangem as mulheres religiosas e grande parte dos árabes com nacionalidade israelita.

Este é um tema sempre polémico em Israel. Grande parte da sociedade critica o facto de os haredim viverem às custas do Estado, sem cumprirem com as mesmas obrigações que o resto dos cidadãos. Contudo, os ultra-ortodoxos consideram que a imposição do serviço militar choca com os seus deveres religiosos de aprofundamento bíblico.

A decisão do Governo chefiado por Netanyahu foi facilitada pelo facto de, pela primeira vez na última década, não existir nenhum partido ultra-ortodoxo na coligação governamental.

Apesar de a lei ter sido já anunciada, apenas entrará em vigor dentro de quatro anos. Até lá as Forças Armadas vão apostar em campanhas para tentar atrair jovens ultra-ortodoxos.