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Cristo sem Igreja não faz sentido, diz o Papa

29 mai, 2013 • Ecclesia

O Papa argentino aludiu aos que dizem “Cristo sim, a Igreja não” para afirmar que “é precisamente a Igreja que leva até Cristo e leva até Deus”.

O Papa Francisco disse, esta quarta-feira, no Vaticano, que a Igreja deve ser vista como uma “obra de Deus”, apesar das eventuais falhas e pecados dos seus membros.

“A Igreja não é uma organização nascida do acordo entre algumas pessoas, mas – como recordou tantas vezes o Papa Bento XVI – é obra de Deus, nasce do desígnio de amor que se realiza progressivamente na história”, declarou, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

Francisco deu início a um novo ciclo de catequeses sobre o “mistério da Igreja”, inspiradas nos textos do Concílio Vaticano II (1962-1965).

O Papa argentino aludiu aos que dizem “Cristo sim, a Igreja não” para afirmar que “é precisamente a Igreja que leva até Cristo e leva até Deus”.

“A Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Claro que tem também aspectos humanos, há defeitos, imperfeições, pecados naqueles que fazem parte dela, pastores e fiéis, também o Papa os tem”, observou.

Para Francisco, é importante que esta consciência do pecado faça descobrir a “misericórdia de Deus” que “perdoa sempre” e tem como projecto fazer uma “única família” com os seus filhos.

A síntese da catequese, em português, insistia na ideia de que “não tem sentido dizer que se aceita Cristo e não a Igreja: É somente por meio da Igreja que podemos entrar em comunhão com Cristo e com Deus”.

O Papa deixou uma saudação particular aos grupos do Estoril e de Lisboa, bem como a todos os outros peregrinos lusófonos. “Saúdo-vos como membros desta família que é a Igreja, pedindo-vos que renoveis o vosso compromisso para que as vossas comunidades sejam lugares cada vez mais acolhedores, onde se faz experiência da misericórdia e do amor de Deus. Que o Senhor vos abençoe a todos.”

A audiência, que reuniu cerca de 100 mil pessoas, começou debaixo de chuva, mas Francisco fez o percurso na Praça de São Pedro num papamóvel descoberto, como habitualmente.

“Parabéns pela vossa coragem debaixo da chuva, valentes”, disse aos presentes, antes de iniciar a catequese, que se viria a concluir já ao sol.