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Libaneses assustados com perspectiva de intervenção na Síria

21 mai, 2013

O Patriarca maronita diz que Beirute não tem o direito a intervir na Síria, mas o envolvimento do Hezbollah, que é mais forte que o exército libanês, ameaça arrastar todo o país.

O Patriarca da Igreja Maronita, uma igreja católica oriental com sede no Líbano, está muito preocupado com a possibilidade de um maior envolvimento de Beirute na guerra civil da Síria.

“Sempre exigimos aos outros que não interferissem nos nossos assuntos internos e não é aceitável que intervenhamos no conflito na Síria”, afirmou, durante uma viagem pastoral à Colômbia.

Mas os libaneses têm razões para estarem preocupados. Notícias dos últimos dias dão conta da morte de pelo menos cerca de duas dezenas de militantes do Hezbollah, o partido e milícia xiita libanês, a combater ao lado dos soldados do regime na Síria.

O envolvimento do Hezbollah, que sempre apoiou Assad, sublinha a natureza étnica e religiosa da guerra civil na Síria. O regime de Damasco é dominado por membros da seita alauita, um ramo esotérico do xiismo, e conta com o apoio das forças xiitas da região, incluindo o Irão e o Hezbollah. Já os rebeldes são na sua esmagadora maioria da comunidade sunita, maioritária no país.

A situação pode ter graves repercussões para o Líbano, o pequeno vizinho da Síria que vive de um equilíbrio periclitante entre as diferentes comunidades religiosas, incluindo cristãos, sunitas e xiitas. Ao longo dos últimos dois anos já houve alguns conflitos, sobretudo nas zonas fronteiriças do Líbano, entre sunitas e xiitas.

Para além do envolvimento das forças armadas do Hezbollah, que são mais poderosas e influentes que o próprio exército libanês, muitos sunitas libaneses têm atravessado a fronteira para combater ao lado dos diferentes grupos armados.

O envolvimento do Hezbollah tem tido lugar na ofensiva à vila de Qusair, um ponto estratégico que liga Damasco ao norte do país e permite o acesso à costa, dominada pelo regime. A ofensiva, que foi retomada esta terça-feira de manhã, tem contado com a resistência feroz dos rebeldes que, segundo alguns relatos feitos ao jornal americano The New York Times, têm apanhado os militantes do Hezbollah de surpresa.

A guerra civil na Síria decorre há mais de dois anos e já fez dezenas de milhares de mortos, para além de um milhão e meio de deslocados.