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Nova explosão mata xiitas em Bagdade

20 mai, 2013

Só esta segunda-feira já houve mais de meia-centena de mortos entre a comunidade xiita. Número de mortos por violência entre sunitas e xiitas não para de aumentar.

Uma nova explosão ao início da tarde matou pelo menos 12 xiitas nos arredores de Bagdade, elevando para mais de 50 o número de mortos em ataques bombistas durante esta segunda-feira.

De manhã uma série de atentados em Bagdade e em Basra já tinha feito 43 mortos.

Os atentados tiveram lugar em zonas maioritariamente xiitas, agravando as tensões entre as duas principais correntes islâmicas naquele país. Desde a invasão americana, que derrubou o regime de Saddam Hussein, o Iraque tem vivido um clima de quase guerra civil entre a maioria xiita e a minoria sunita.

O regime de Saddam estava nas mãos sobretudo de sunitas e alguns levantamentos xiitas foram duramente reprimidos, mas o extremismo religioso era controlado pela ditadura.

Após a queda do regime e o aumento da retórica e militância islâmica, tanto xiita como sunita, os problemas agravaram-se muito com as duas comunidades a separarem-se quase por completo. Só em Abril deste ano morreram mais de 700 pessoas em conflitos sectários, o número mais elevado dos últimos cinco anos.

A tensão deve ser compreendida à luz de uma divisão regional, que opõe a potência xiita, o Irão, ao bloco sunita dos países do golfo. Todos os países que têm a população dividida têm tido problemas, desde o Bahrein, onde a maioria xiita tem protestado contra o domínio da família real sunita, até à Síria, cujo regime, controlado por uma seita xiita procura travar uma insurreição levada a cabo principalmente por forças sunitas. Também no Paquistão a minoria xiita tem sido duramente perseguida por atentados que têm feito centenas de mortos nos últimos meses.