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Igreja “não investe o suficiente na divulgação” dos projectos online

08 mai, 2013 • Ângela Roque

D. Pio Alves diz que há iniciativas de qualidade, mas passam ao lado do grande público. Já para o cónego João Aguiar, faz falta um documento orientador para a Pastoral da Comunicação.

A Igreja não tem investido o suficiente na divulgação da sua presença das redes sociais e na internet, afirma D. Pio Alves, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Pio Alves falava na apresentação do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se assinala no próximo domingo,  uma sessão onde ficou bem evidente que a Igreja não pode desperdiçar os novos meios digitais para evangelizar.

“Penso que temos iniciativas muito válidas. Sem ir mais longe, só no âmbito da comissão episcopal a que presido, nos três secretariados há muitas iniciativas, algumas com muito sucesso, enorme qualidade e muitas visitas, mas que passam ao lado do grande público, provavelmente porque nós não investimos suficientemente na divulgação”, afirma D. Pio Alves.

Para o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais e presidente do conselho de gerência do Grupo r/com - renascença comunicação multimédia, cónego João Aguiar, faz falta um documento orientador para a Pastoral da Comunicação.

“Faz falta primeiro a afirmação da importância da comunicação, e por isso, uma pastoral da comunicação que esteja presente em todos os sectores da pastoral, que ajude a formar gabinetes de comunicação, que ajude a coordenar as actividades de comunicação a nível diocesano ou a nível nacional. Porque a convicção que eu tenho é que a quantidade de meios não tem equivalência nos efeitos ou na eficácia. A Igreja não é tão relevante ou tão incisiva, ou não está tão presente quanto deveria estar porque cada um muitas vezes prefere trabalhar de uma forma autónoma”, diz o cónego João Aguiar.

O director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais espera que, até ao final do ano, seja possível ter um documento orientador para a Pastoral da Comunicação.

As redes sociais mudaram a forma de comunicar e a Igreja não pode dispensar as novas ferramentas que tem ao dispor. Os números avançados esta quarta-feira por Filipa Martins, da Portugal Telecom, revelam bem a importância do mundo digital.

“Noventa e seis por cento das novas gerações, deste milénio, estão registadas em alguma rede social, portanto é aí que as pessoas estão. E estão ao nível do globo, o Facebook está em 70 línguas, atinge 800 milhões de pessoas. Se fosse um país era a terceira maior população do mundo. Em  Portugal temos cinco milhões de utilizadores na internet”, explica Filipa Martins.
 
Bento Oliveira, professor e dinamizador de diversos projectos cristãos na internet, falou do exemplo do próprio Papa, que milhões de pessoas seguem no Twitter incluindo em Portugal.

“A conta no Twitter do Papa Francisco, chegou aos seis milhões de seguidores. Em Portugal não sei se temos consciência disto, mas a conta portuguesa, o Pontifex_.pt, salvo erro, só é ultrapassada pela conta no Twitter do Cristiano Ronaldo”, afirma Bento Oliveira.

No Twitter ou no Facebook é possível encontrar vários padres e até bispos, mas têm sido sobretudo os leigos a criar projectos, numa dinâmica que a Igreja, como instituição, nem sempre é capaz de acompanhar.

“Vou dar  um exemplo: se eu quiser lançar uma página sobre as Jornadas Mundiais da Juventude 2013, eu não posso estar à espera três meses que me aprovem um projecto desses, porque quando aprovarem eu já vou dizer ‘o Papa Francisco fez, disse, visitou’. Não é isso que me interessa. Cabe  um bocadinho agora aqui o papel à hierarquia da Igreja, e às pessoas mais ligadas à Pastoral da Cultura, também ver o que é que existe”, apela Bento Oliveira.

"Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização" foi o tema escolhido ainda por Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se assinala no próximo domingo.