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Portas abertas para peregrinos. "Ajudaremos sempre que pudermos"

08 mai, 2013 • João Cunha

As peregrinações a Fátima não passam só pela caminhada. Há quem faça um esforço igualmente meritório, sem nunca saindo de casa, limitando-se a manter a porta aberta e a sopa quente.

Portas abertas para peregrinos. "Ajudaremos sempre que pudermos"
Saindo da Estrada Nacional 3, entre Azambuja e o Cartaxo, parte do percurso feito por muitos peregrinos que saem de Lisboa para Fátima, depois de um pequeno trajecto em estrada batida encontra-se a Quinta do Gaio de Baixo, onde há muito se acolhem peregrinos.

“Acolhemos há vários anos, eu era pequenino e já vinham para cá, passavam aqui à porta e amigos e conhecidos começaram a pedir para ficar e para comer aqui, sabiam que tínhamos condições, porque organizamos aqui casamentos e baptizados. E os meus pais, a partir desse momento, abriram logo as portas.”

Manuel Santos Lima é filho dos proprietários da quinta - onde não se recusa comida nem tecto a ninguém: “São grupos organizados e eles oferecem-se para pagar. Por vontade dos meus pais e da família continuávamos a oferecer tudo, se bem que os grupos aumentaram muito e tornou-se insustentável. Mas depois há pessoas isoladas que passam e pedem uma sopa e um espaço para dormir, e claro que oferecemos, não há problema.”

Problema não há, mas há custos: “Imagine fazer jantar para 50 pessoas em casa. Claro que não fazemos bifes do lombo para toda a gente, tentamos fazer pratos mais económicos para ser mais fácil”.

Aos que vem e aos que virão, porque a tradição é para manter: “Se continuarmos nestes moldes de solidariedade em que podemos ajudar as pessoas que têm o compromisso de ir a Fátima, ajudaremos sempre que pudermos”.

Entretanto esta quarta-feira os peregrinos contam com uma dificuldade acrescida. A chuva, particularmente a norte e centro do país, promete complicar a vida a quem caminha para Fátima. Na estrada estão milhares de fiéis a caminho do Santuário.