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Tamerlan Tsarnaev era demasiado radical para a mesquita local

22 abr, 2013 • Filipe d’Avillez

Radicalização do autor dos atentados de Boston ter-se-á consumado durante uma visita ao Daguestão, na antiga União Soviética.  

Tamerlan Tsarnaev era demasiado radical para a mesquita local
Tamerlan Tsarnaev, um dos suspeitos de ter executado o atentado que matou três pessoas e feriu mais de 170 na Maratona de Boston, e que morreu na sequência de uma operação policial, era visto como o mais radical dos dois irmãos e chegou a ser expulso da mesquita local.

O imã da comunidade muçulmana de Boston explica que depois de Tamerlan ter interrompido uma homilia na mesquita, há cerca de três meses, acusando o orador de ser um infiel por comparar Maomé a Martin Luther King, o checheno de 26 anos viu a sua voz abafada pelos outros muçulmanos presentes, tendo acabado por abandonar o local.

Esta terá sido a segunda vez que Tamerlan agia desta forma, pelo que um voluntário na mesquita o procurou para dizer que tinha de escolher entre manter as suas opiniões ou continuar a frequentar a mesquita.

À medida que se vai sabendo mais sobre os autores do ataque ganha força a ideia de terem sido motivados por extremismo islâmico, não se sabendo contudo se Tamerlan e Dzhokhar agiram sozinhos ou se estavam integrados nalgum movimento mais alargado.

Os dois irmãos chegaram aos Estados Unidos há vários anos, provenientes da Federação Russa, mas a sua família é chechena. A Chechénia foi palco de uma violentíssima guerra com a Rússia e o Islão praticado naquela república do Cáucaso tem-se tornado cada vez mais radical, apesar de tradicionalmente os chechenos serem mais próximos das correntes sufistas do que do radicalismo wahabita, que nasceu nos países árabes.

Tamerlan, que era praticante de boxe, chegou a dar uma entrevista na qualidade de praticante da modalidade em que se descrevia como sendo “muito religioso”. Mais recentemente, escreveu que não tinha amigos na América e não compreendia os americanos. Um utilizador do YouTube com o mesmo nome subscrevia um canal que inclui vários vídeos associados ao fundamentalismo islâmico.

Em Janeiro de 2012, recém-formado em Engenharia, Tamerlan viajou para o Daguestão para visitar os pais e outros familiares. Embora os investigadores e jornalistas não tenham encontrado ainda qualquer indício de contacto com os movimentos extremistas que operam naquela região, e que combatem contra a Rússia, suspeita-se que a sua radicalização se tenha consumado nessa altura.

Neste quadro, torna-se mais complicado compreender o papel desempenhado por Dzhokhar, o irmão mais novo que sobreviveu, estando agora detido pelas autoridades. O jovem de 19 anos tinha conseguido obter cidadania norte-americana e era, segundo os seus amigos e conhecidos, um rapaz bem integrado e popular, perfeitamente americanizado. Não lhe são conhecidas posições muito religiosas, o que leva a entender que poderá ter sido influenciado por Tamarlan a participar no atentado.