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Um em cada quatro cristãos sírios é refugiado

18 abr, 2013 • AIS

Patriarca da Igreja Melquita estima que cerca de 400 mil cristãos estão deslocados interna ou externamente. Gregório fala de caos, insegurança e fundamentalismo.

Um em cada quatro cristãos sírios é refugiado
Cristaos na Siria
O Patriarca Gregório III, líder da Igreja greco-católica Melquita, traça um retrato assustador da Síria, desde que o país está mergulhado numa violentíssima guerra civil.

“O sofrimento a que o povo sírio está a ser sujeito está para lá de todos os limites”, acusa Gregório III, numa declaração enviada para a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

“O conflito já ceifou a vida a milhares e milhares de pessoas”, tanto civis como militares, acrescenta, calculando que pelo menos 400 mil cristãos sírios – possivelmente mais de 25 % do total - estão deslocados dentro do país ou foram forçados a abandoná-lo.

O líder da Igreja greco-católica Melquita calcula ainda que mais de mil cristãos terão sido mortos desde o início da guerra, há dois anos, e que, desde então, há notícias de que “aldeias inteiras perderam todos os cristãos que lá viviam”.

Na onda de violência que está a varrer a Síria foram destruídas ou danificadas mais de quatro dezenas de igrejas e outros centros cristãos, como escolas, lares, orfanatos.

Na opinião do Patriarca Gregório III, o caos e a insegurança estão a paralisar o país e são, a par da afluência de “fundamentalistas islâmicos”, os principais problemas da Síria.

A ameaça que pende sobre o Cristianismo poderá vir a ter sérias implicações no futuro da religião na zona, pois durante décadas a Síria foi como que um porto de abrigo, um refúgio, para os crentes oriundos do Líbano e Iraque, entre outros países.

“Não há nenhum lugar seguro na Síria. O país virou um campo de batalha e não há qualquer respeito pelos direitos humanos, liberdade, democracia ou cidadania”.

Na opinião de Gregório III, os cristãos, sendo um grupo particularmente vulnerável, estão confrontados com a necessidade de “abandonarem a Síria ou arriscarem a morte”.

O futuro dos cristãos na Síria – acrescenta – está ameaçado “não pelos muçulmanos mas pelo caos e pela infiltração de grupos fanáticos fundamentalistas”.

A população síria distribui-se por vários credos. Cerca de 10% da população é cristã, dividida em várias confissões, entre os quais a Igreja Melquita, católica de rito oriental. A maioria dos sírios são sunitas e estes compõem o grosso da oposição ao regime, cuja espinha dorsal é composta por alauitas, membros de uma seita derivada do Islão xiita.