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Papa contra “interpretação subjectiva” das escrituras

12 abr, 2013

“A interpretação da Escritura não pode ser apenas um esforço intelectual individual, mas deve ser sempre confrontada, inserida e autentificada pela tradição viva da Igreja”.

Papa contra “interpretação subjectiva” das escrituras
O Papa afirmou esta sexta-feira que se mantém fiel ao respeito total da tradição da Igreja, única habilitada a interpretar correctamente as escrituras, rejeitando a “interpretação subjectiva”, no primeiro discurso perante a comissão bíblica do Vaticano.

Nesta intervenção perante especialistas o Papa jesuíta referiu-se longamente a um texto do Concílio Vaticano II (1962-65), a Constituição “Dei Verbum” sobre o papel da Igreja.

Até aqui, e ao contrário de Bento XVI, Francisco fez poucas referências ao Concílio, sendo o primeiro Papa das últimas décadas que não participou nesse encontro.

“O Concílio lembrou com grande clareza: tudo o que diz respeito ao modo de interpretação das escrituras está sujeito, em última instância, ao julgamento da Igreja, que cumpre um mandato divino e o ministério de conservar e interpretar a palavra de Deus”, afirmou.

Para o Papa argentino, “existe uma unidade indissociável entre Santas Escrituras e Tradição”, que são “conjuntas e comunicam entre si”, “formando, de uma certa maneira, uma única coisa”.

“A sagrada tradição transmite integralmente a palavra de Deus (...) Desta forma, a Igreja retira a sua certeza sobre todas as coisas reveladas não apenas na Escritura Santa. Uma como a outra devem ser aceites e veneradas com sentimentos semelhantes de piedade e de respeito”, disse, num discurso que evidenciou um Papa muito respeitoso da autoridade da Igreja.

Daqui resulta que “a interpretação da Escritura não pode ser apenas um esforço intelectual individual, mas deve ser sempre confrontada, inserida e autentificada pela tradição viva da Igreja”.

Para ser bem claro, o Papa denunciou “a insuficiência de qualquer interpretação sugestiva, ou simplesmente limitada a uma análise incapaz de acolher o sentido global, que constituiu ao longo dos séculos a tradição de todo o povo de Deus”.

Também esta sexta-feira o Papa encontrou-se com todos os 300 membros da Secretaria de Estado do Vaticano - funcionários, sacredotes, religiosos e leigos - a quem agradeceu o trabalho realizado durante o primeiro mês do seu Pontificado, que se assinala sábado dia 13 de Abril.