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Obras de Fé

Dois dias por semana a D. Fernanda pode sorrir

26 mar, 2013 • Liliana Monteiro

Ermelinda é voluntária e visita idosos acamados e de mobilidade reduzida. Muitas vezes é ela a única companhia semanal das pessoas a quem se dedica.  

Mouraria, 10h30, é num banco de jardim que encontramos Ermelinda já à nossa espera. Voluntária de coração e alma do projecto “Mais proximidade, Melhor vida”, vive fora de Lisboa e por isso acordou cedo para poder visitar a D. Fernanda, uma senhora que a doença atirou para uma cama, que tem como parceira garantida -na maior parte dos seus dias- a solidão.

Vive num prédio pequeno, amarelado, de três andares, enfiado numa ruela muito movimentada.

Confinada a um quarto pequeno e cheio de memórias encontramos a D. Fernanda deitada e aconchegada pela roupa. Recebe-nos de sorriso nos lábios. Nos olhos a felicidade de ter o quarto cheio, de ouvir vozes diferentes, de poder também ela comunicar

A morte da mãe de Ermelinda, a voluntária, fez nascer dentro dela a vontade de dar e ajudar, de tornar a vida de outras pessoas um pouco melhor. Técnica de reabilitação e fisioterapia durante muitos anos numa clinica, dá agora o que de melhor sabe fazer.

A D. Fernanda cumpre todos os exercícios à risca, quase sem descanso, concentrada no que Ermelinda lhe pede, só pensa nessa altura na reabilitação e no quão importantes e úteis são aqueles movimentos quando está sozinha.

Mas a par dos exercícios físicos há também espaço para a beleza e para alegrar um pouco o espirito e Ermelinda não descura isso.

Uma ou duas vezes por semana a nossa voluntaria visita esta mulher de 60 anos, mas visita outros tantos que vivem perto de si também.

Feliz com a vida, e com um sorriso que não conseguiu desmanchar durante toda a visita, Ermelinda revela-nos o resultado desta entrega sem limites, onde tudo é feito com fé, amor e dedicação

Eternamente grata por esta ajuda e de nó na garganta a D. Fernanda revela-nos que o seu desejo seria que todas as famílias fossem mais presentes e ajudassem os idosos.
O tempo que passa com Ermelinda, diz, passa a voar e quando ela se vai embora regressa à dura realidade.