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Jesuíta torturado por militares nega envolvimento do Papa

22 mar, 2013

Declaração do padre Franz Jalics segue-se à rejeição já formulada ontem pelo veterano combatente pelos direitos humanos e Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.

Jesuíta torturado por militares nega envolvimento do Papa
Um dos dois padres jesuítas cuja captura e tortura pela junta militar argentina tem sido associada a uma eventual denúncia do então padre Bergoglio, veio ontem a público rejeitar qualquer ligação do actual Papa a esse caso.

Franz Jalics, que se encontra actualmente com os jesuítas na Alemanha, foi raptado juntamente com o padre Orlando Yorio em 1976, numa altura em que trabalhavam num bairro operário em Buenos Aires.

Os militares consideravam a sua actividade suspeita e torturaram-nos durante vários meses. Uma versão dos acontecimentos indicava que o então padre Bergoglio, que tinha criticado algumas das suas actividades, poderia ter sido cúmplice na sua detenção.

Contudo, a justiça argentina, que investigou o caso, nunca encontrou qualquer prova que apontasse nesse sentido. Ontem o prémio Nobel da Paz de 1980, o veterano defensor dos direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel, veio garantir que o Papa nada teve a ver com esse incidente. Na tarde do mesmo dia Franz Jalics publicou também um texto na internet no mesmo sentido.

“Estes são os factos: Orlando Yorio e eu não fomos denunciados pelo padre Bergoglio. Por isso é errado afirmar que a nossa captura foi espoletada pelo padre Bergoglio”.

É contudo possível que as críticas do actual Papa naquela época, que terá dito que os sacerdotes estavam a residir no bairro sem a sua autorização, os tenha deixado desprotegidos e encorajado o regime a agir. Essa é a versão sustentada por Yorio numa descrição feita dos acontecimentos em 1977, antes de morrer, mas não implica qualquer colaboração activa com o regime.

Esse período da história da América do Sul não pode ser compreendido sem ter em conta a Teologia da Libertação, que motivou muitos sacerdotes a tomar parte em acções políticas ou mesmo de guerrilha. Bergoglio, apesar da preocupação central pelos pobres, nunca alinhou com essa corrente teológica, o que poderá ter estado por detrás da sua desconfiança da acção dos dois jesuítas.

Depois do desaparecimento dos dois padres, contudo, o actual Papa afirma que fez todos os esforços por localizá-los e conseguir a sua libertação, uma versão sustentada por Esquivel.