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Papa quer pontes com o Islão e dá "um abraço ao mundo"

22 mar, 2013 • Filipe d’Avillez

No encontro com o corpo diplomático, esta manhã, o Santo Padre recuperou o tema da “ditadura do relativismo”, identificado por Bento XVI, e falou de pobreza material e espiritual.

Papa quer pontes com o Islão e dá "um abraço ao mundo"
Papa quer pontes com o Islão e dá "um abraço ao mundo"
No encontro com o corpo diplomático, esta manhã, o Papa Francisco recuperou o tema da “ditadura do relativismo”, identificado por Bento XVI, e falou de pobreza material e espiritual. Num discurso relativamente curto, como tem sido seu hábito, o Papa voltou a falar das razões por detrás da escolha do seu nome e sublinhou a importância do diálogo inter-religioso, sobretudo com o Islão, e com os não crentes.
“O abraço do Papa ao mundo”, é assim que o Papa Francisco descreve o encontro que esta manhã manteve com o corpo diplomático acreditado à Santa Sé.

Num discurso onde voltou a falar das razões por detrás da escolha do seu nome, incluindo a necessidade de fortalecer o diálogo com o Islão, o Santo Padre realçou primeiro as boas relações que a Igreja mantém com tantos países, manifestando a esperança de que se consigam ainda fazer pontes com outros, com quem não há ainda relações diplomáticas.

“A vossa presença, numerosa, é também um sinal de que as relações que os vossos países mantêm com a Santa Sé são profícuas, são verdadeiramente uma ocasião de bem para a humanidade. Na verdade, é isto mesmo o que a Santa Sé tem a peito: o bem de todo o homem que vive nesta terra. E é precisamente com este entendimento que o Bispo de Roma começa o seu ministério, sabendo que pode contar com a amizade e benevolência dos países que representais, e na certeza de que compartilhais tal propósito.”

O Papa Francisco explicou que a palavra Pontífice significa “construtor de pontes” e foi precisamente isso que fez em relação ao seu antecessor Bento XVI, ao evocar a noção de “ditadura do relativismo”, que elencou como sendo uma das raízes da pobreza que tanto deseja combater, que é também uma pobreza espiritual. “Há ainda outra pobreza: é a pobreza espiritual dos nossos dias, que afecta gravemente também os países considerados mais ricos. É aquilo que o meu Predecessor, o amado e venerado Bento XVI, chama a ‘ditadura do relativismo’, que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens. E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz.”

“Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra”, disse ainda.

Num discurso relativamente curto, como tem sido seu hábito, já desde os tempos de Arcebispo, o Papa falou ainda do ambiente e do diálogo inter-religioso. Neste campo sublinhou a importância do diálogo com o Islão, à imagem de São Francisco de Assis: “não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo Deus; e vice-versa: não se podem viver verdadeiras ligações com Deus, ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões; penso, antes de tudo, ao diálogo com o Islão.”

Os não crentes também não foram esquecidos: “é também importante intensificar o diálogo com os não crentes, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos.”

Depois do discurso segue-se uma sessão de cumprimentos com todos os embaixadores acreditados à Santa Sé, incluindo o português António de Almeida Ribeiro a ter a oportunidade de saudar o novo Papa Francisco.