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Nobel da Paz reafirma que Papa nada teve que ver com a ditadura argentina

21 mar, 2013 • Aura Miguel, em Roma

Pontífice recebeu Adolfo Pérez Esquivel, que iliba o Papa das insinuações de colaboração com o regime militar argentino.

Nobel da Paz reafirma que Papa nada teve que ver com a ditadura argentina
Esta quinta-feira, o Papa Francisco encontrou-se com o argentino Adolfo Pérez Esquivel, prémio nobel da Paz em 1980 e uma das personalidades que desmentiu alegadas ligações do cardeal Bergoglio à ditadura militar, algo que voltou a fazer nesta entrevista à Renascença.

"O Papa não teve nada que ver com a ditadura, não foi cúmplice da ditadura. Não foi dos bispos que mais esteve na vanguarda da defesa dos direitos humanos, porque preferiu mais uma diplomacia silenciosa de pedir pelos desaparecidos, pelos presos. Mas não podemos ligá-lo à ditadura. Mesmo a justiça argentina garante não haver nenhuma acusação sobre ele", afirmou o nobel. 

Esquivel falou da “satisfação, a alegria que temos de pela primeira vez ter sido eleito um Papa latino-americano e argentino. Isto é muito significativo para a Igreja que sai do eurocentrismo e se dá ao mundo de outra forma.”

Os dois conversaram durante algum tempo. “Falámos também da questão dos direitos humanos e o Papa disse, com muita clareza que é necessário procurar a verdade, a justiça, e a reparação das injustiças. Os direitos humanos são integrais, não têm que ver apenas com a época de violência e terrorismo de Estado, mas estão relacionados também com a pobreza, meio ambiente, e a vida do ser humano.”

Tem-se tornado hábito o Papa Francisco pedir as orações daqueles com quem se encontra e a quem se dirige, algo que já fazia enquanto Cardeal. Desta vez não foi excepção.

“Toda a reunião foi muito emotiva, estivemos muito emocionados os dois, neste reencontro e ele pediu que o acompanhemos através da oração. Pediu também o meu compromisso para eu o poder acompanhar, e poder trabalhar para que o seu papado possa estar ao serviço do povo de Deus e da humanidade", explica Adolfo Pérez Esquivel.