Tempo
|

Comunidade Bahá’í entra hoje no ano 170

21 mar, 2013 • Filipe d’Avillez

Em Portugal existem cerca de quatro mil seguidores desta religião, marcada pela tolerância e que sofre perseguições, sobretudo no Irão e no Egipto.  

Comunidade Bahá’í entra hoje no ano 170
Começa hoje o ano 170 da Era Bahá’í, segundo o calendário utilizado pelos seguidores de Bahá'u'lláh, considerado um profeta.

A religião tem as suas raízes no Islão e, culturalmente, na Pérsia, de onde era originário o seu fundador. O dia 21 de Março é, nesta antiga cultura, a data em que se assinala a passagem de ano, que assim coincide com o início da Primavera.

Marco Oliveira, um português que segue esta fé, explica que com o começo do ano chega ao fim um mês de jejum, que se assemelha à Quaresma para os cristãos: “É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina foi de jejum, de preparação para o ano novo em que vamos entrar. Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.”

A data é, portanto, de celebração, o que vai acontecer em Portugal mas noutros países vai ser mais comedido: “As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Bahá’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões”, diz Marco Oliveira.

A comunidade portuguesa é relativamente recente e composta por cerca de 4.000 pessoas, a maioria dos quais portugueses: “Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados.”

“Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade”, explica Marco Oliveira.

A religião, cujo membro português mais famoso será Nelson Évora, é conhecida pela tolerância e abertura ao diálogo: “O nosso fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: ‘Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união’, é isso que tentamos fazer.”