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Passos volta a anunciar o fim da crise

16 jan, 2013 • Matilde Torres Pereira

Primeiro-ministro diz que o país "deixará a situação de emergência" que tem "conhecido desde meados de 2011" e aponta 2014 como o início da "nova fase".

Passos volta a anunciar o fim da crise
Passos volta a anunciar o fim da crise
O primeiro-ministro confia que 2013 vai ser o último ano da crise. No encerramento da conferência “Um Estado para a Sociedade”, Pedro Passos Coelho prometeu que no próximo ano começa o crescimento económico, o que não significará – garantiu - um abrandamento do rigor orçamental. Quanto à reforma do Estado, Passos sublinhou que a poupança não é o único critério, assegurou ainda que a manutenção do Estado Social é possível desde que se consiga fazer a sua reforma.

Depois de ter dito em Agosto de 2012 que este ano ia ser "de inversão" para Portugal, Pedro Passos Coelho voltou a abordar prazos para o fim da crise e início da retoma. O primeiro-ministro defendeu esta quarta-feira, durante o discurso de encerramento de uma conferência sobre a reforma do Estado, que "o ciclo recessivo deve abrandar em 2013, dando início a um ciclo de expansão económica". Passos Coelho aponta a necessidade de olhar para o período "pós-troika", em 2014, como o início de uma "nova fase".

Essa nova fase, diz Passos Coelho, põe de lado "os receios de enfrentar uma espiral recessiva que poderia pôr em causa todos os esforços que temos vindo a desenvolver". "O país continuará a precisar de manter políticas de grande exigência orçamental e económica, mas deixará a situação de emergência que temos conhecido desde meados de 2011 e reganhará importantes graus de automonia e reconhecido estatuto de maior auto-confiança", assegurou.

Na intervenção que fez no Palácio Foz, em Lisboa, depois de um resumo dos obstáculos orçamentais e conjunturais de 2012, o chefe de Governo preferiu fazer o retrato do futuro, frisando por várias vezes a necessidade de manutenção, durante largos anos, de políticas de grande rigor orçamental. Passos Coelho disse que não se pode "manter o nível fiscal hoje alcançado", mas que, para isso, "estamos condenados a ser bem-sucedidos neste processo de reformas". "Este processo não pode deixar de ser relevantíssimo nos governos dos próximos 20 anos em Portugal", afirmou.

"O abandono desta ideia de cumprimento, associado à incerteza do caminho do futuro sem o controlo da 'troika', levaria à quebra de confiança em Portugal e sem dúvida a um segundo resgate", prosseguiu. "Aí sim", sublinhou Passos Coelho, "seríamos conduzidos a uma espiral recessiva e a uma perpetuação, por muitos e muitos anos, de uma situação de menorização externa que não seria patriótico favorecer por qualquer via".

Em resposta ao coro de críticas ao corte de quatro mil milhões na despesa do Estado, o governante reiterou que "só não erra quem não decide." "Ninguém tem o direito de ficar de fora deste debate. Por mais escasso que seja o consenso, o país não pode ficar parado ou paralisado por falta de consensos ou por medo", referiu. 

Passos Coelho sustentou que a redução da despesa pública vai fazer-se maioritariamente à custa da "despesa social", referindo que o Governo pretende estabelecer um "critério duplo fundamental" para a "maximização de recursos" e a sua "mobilização para aqueles que se encontram em maior risco".

A finalizar, o chefe de Governo indicou que as conclusões da conferência sobre a reforma do Estado vão ser anunciadas no início da próxima semana, para dar a todos os intervenientes "a oportunidade de verificar" aquilo que defenderam ao longo das sessões. Quanto à aplicação do "trabalho realizado" em prol da reforma do Estado Social, Passos Coelho afirmou que, "em última instância, será o Governo a decidir".