PS contesta intenção do Governo de querer extinguir 600 cargos municipais

12 dez, 2012

Socialista Mota Andrade contesta as declarações do secretário de Estado Paulo Júlio e diz que a novidade é antes a criação de 90 cargos políticos bem remunerados.

O secretário de Estado da Administração Local insiste que a nova lei de competências locais vai acabar com 600 cargos políticos, mas o PS vota contra e acusa o Governo de faltar à verdade.

Paulo Júlio faz as contas na Renascença, para concluir que a redução da despesa vai ultrapassar os 12 milhões de euros por ano. “Esta proposta de lei propõe a redução de mais de 600 cargos políticos de nomeação”, começa por dizer.

“No nível intermunicipal, propõe criar adicionalmente 37 cargos. Mas, complementarmente, o que propõe é a redução de mais de 650, portanto, no cômputo geral, estamos a falar de mais de 600 cargos políticos”, insiste o governante.

“Dá, em termos de redução de despesa pública mais de 12 milhões de euros por ano. Num mandato autárquico, são quase 50 milhões de euros de redução”, defende ainda Paulo Júlio.

Ainda assim, o socialista Mota Andrade contesta as declarações do secretário de Estado e diz que a novidade é agora a criação de 90 cargos políticos bem remunerados. “Aquilo que o senhor secretário de Estado diz não corresponde à verdade”, critica.

“O que está em causa é que, com esta lei, o Governo pretende criar cerca de 90 cargos políticos com vencimentos na ordem dos quatro mil euros. Num momento em que o país e os portugueses estão a fazer enormes sacrifícios, isto é inaceitável, portanto, o PS vota contra”, argumenta Mota Andrade.

O socialista explica a posição do partido: “Coisa diferente foi a lei que já foi aprovada, com os votos favoráveis do Partido Socialista, em que de facto se extinguem mais de 600 cargos, mas não são políticos. São cargos de dirigentes da administração local”.

O PS vota esta quarta-feira contra a nova lei de competências da administração local e o debate adivinha-se tenso no Parlamento.