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Rui Machete condena destruição de obras milenares por jihadistas no Iraque

27 fev, 2015

Autoproclamado Estado Islâmico divulgou um vídeo onde podem ser vistos jihadistas a destruir dezenas de esculturas e outras obras de arte com milhares de anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Manchete, condenou esta sexta-feira as acções do autodenominado Estado Islâmico no Museu da Civilização em Mossul, no Iraque.
 
O grupo terrorista divulgou, na quinta-feira, um vídeo de cinco minutos onde podem ser vistos jihadistas a destruir dezenas de esculturas e outras obras de arte assíria, datadas dos séculos nono e sétimo antes de Cristo, assim como manuscritos milenares.
 
Rui Manchete lamenta estes acontecimentos. “A arte é uma manifestação do espirito humano, que tem também aspectos religiosos, mas tem sobretudo aspectos estéticos. É manifestamente condenável, e até uma coisa inacreditável que se destrua”, criticou.

“Como é que é possível que as pessoas não compreendam que o respeito pelas pessoas envolve também o respeito pelas obras que as pessoas fazem. Os artistas, naturalmente, exprimem a sua liberdade, as suas crenças, as suas convicções, a sua cultura e a sua sensibilidade através das obras que fazem. Isso é uma riqueza da humanidade que não deve ser destruída”, defendeu ainda o ministro.

O grupo terrorista justificou a acção com a vontade do profeta. No vídeo, um jihadista afirma que Maomé mandou “destruir estátuas e relíquias, e os seus companheiros fizeram o mesmo nas terras que conquistaram”.

As declarações de Rui Machete foram feitas após uma visita à mesquita central de Lisboa, onde esteve acompanhado pelo Imã, Sheikh David Munir, e pelo presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa, Abdool Vakil.