Tempo
|

Se houvesse debates não haveria incidentes

24 jun, 2014 • Raquel Abecasis

Secretário-geral do PS diz, em entrevista à Renascença, que António Costa é que causou problemas ao partido e acusa-o de não apresentar ideias diferenciadoras.

Se houvesse debates não haveria incidentes
Se houvesse debates não haveria incidentes
António José Seguro diz que os incidentes de Ermesinde e os que têm ocorrido nas redes sociais contra si “são censuráveis e deveriam ser evitados”, mas acrescenta que isto acontece, porque neste momento não há debate de ideias. Se António Costa aceitasse os convites para debates, "naturalmente as coisas confrontam-se onde devem ser confrontadas, isto é, no plano das ideias e das propostas”, diz Seguro. O secretário-geral rejeita ainda a ideia de que ficou agarrado ao poder.
António José Seguro diz que incidentes entre socialistas, como os que aconteceram em Ermesinde, em Braga e os que têm ocorrido nas redes sociais, “são censuráveis e deveriam ser evitados”, mas acrescenta que isto acontece, porque neste momento não há debate de ideias.

“Compreendo que, quando António Costa não apresenta ideias diferenciadoras, seja difícil existir debate. Aliás, por alguma razão ele tem recusado debater comigo nas televisões, que já propuseram esse debate. Julgo que, rapidamente, se ele aceitar esses debates, naturalmente as coisas confrontam-se onde devem ser confrontadas, isto é, no plano das ideias e das propostas”, afirma o secretário-geral do PS, em entrevista ao programa Terça à Noite.

Seguro rejeita a ideia de que ficou agarrado ao poder. “Eu tomei a iniciativa, isto é, apresentei uma solução para o problema que o António Costa criou” diz Seguro, e essa solução, continua, são as eleições primárias a 28 de Setembro. O líder socialista diz que as primárias não podem ser mais cedo porque as pessoas vão entrar de férias, respondendio assim ao pedido que lhe foi dirigido por um grupo de senadores socialistas.

Almeida Santos, Vera Jardim, Manuel Alegre e Jorge Sampaio escreveram, na semana passada, uma carta a pedir uma solução rápida da crise socialista. No entanto, na reunião da comissão nacional de domingo passado, foi rejeitada a discussão de um pedido de António Costa para a realização de um congresso extraordinário. A realização de um congresso extraordinário, antecedido de eleições directas para secretário-geral, seria a forma mais rápida de resolver a crise espoletada pela manifestação de vontade de António Costa de concorrer a líder do PS. Mas para haver eleições directas seria necessário, como conclui o conselho de jurisdição do PS, que o actual líder se demitisse. E isso Seguro não faz.

Neste momento, António José Seguro reconhece que é “um líder enfraquecido” e diz que o Governo está “muito mais tranquilo do que deveria estar”, mas a culpa, afirma, é de António Costa.

As eleições primárias vão servir para escolher o candidato do PS a primeiro-ministro. Mas António José Seguro já assumiu que, se perder as primárias, se demitirá da liderança.