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Rangel diz que já "ninguém fala" do Manifesto dos 70

29 mar, 2014

Declaração do cabeça de lista da lista PSD/CDS às europeias surge no dia em que os signatários do manifesto avançaram com uma petição pela reestruturação da dívida.

Rangel diz que já "ninguém fala" do Manifesto dos 70

O cabeça de lista da coligação PSD/CDS ao Parlamento Europeu, Paulo Rangel, diz que o Manifesto dos 70 (ou Manifesto 74) não "teve a adesão dos portugueses", que "já saiu da agenda" e que "ninguém fala dele".

Ao contrário daquilo que os seus "promotores julgavam", o documento, intitulado "Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade", "não teve a repercussão que se esperava, nem teve a adesão dos portugueses", sustentou Paulo Rangel, que falava aos jornalistas, em Coimbra, à margem de um debate sobre a Europa, promovido pelo PSD da cidade.

Os portugueses "sabem que um perdão de dívida teria consequências catastróficas nesta altura para a sua vida diária" e não "apenas para o país", sublinhou.

"Toda a gente sabe" o que quer dizer a palavra reestruturação, salientou Rangel, admitindo que tenha havido "um recuo táctico" por parte dos subscritores do documento que defende a reestruturação da dívida portuguesa.

Para o eurodeputado, "o manifesto já saiu da agenda, neste momento já ninguém fala" dele, mas "todos os dias se inventa um pretexto diferente" - ou "se traz uns estrangeiros" ou faz-se "uma petição" , para "manter viva uma ideia a que os portugueses claramente não aderiram".

O movimento Manifesto 74, que reúne personalidades de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, anunciou este sábado que está a realizar uma petição para levar a reestruturação da dívida ao plenário da Assembleia da República.

Discutir a reestruturação da dívida "é evidente que é manifestamente inoportuno e cria prejuízo aos portugueses, não apenas ao país, é prejuízo no bolso da cada família", defendeu Paulo Rangel. 

Já este sábado o socialista João Cravinho confirmou à Renascença a existência de uma petição para levar ao Parlamento os temas do “Manifesto dos 70”.

Também Ferro Rodrigues defendeu a “renegociação séria” o quanto antes com os credores do Estado.