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Museu do Brinquedo ameaçado por "lei feita às cegas"

21 mai, 2013

Cortes na sequência da nova lei das fundações colocam emblemático espaço de Sintra em risco.

A Câmara de Sintra vai deixar de prestar o apoio de cinco mil euros mensais ao Museu do Brinquedo, da fundação Arbués Moreira. Além do fim da ajuda financeira, o município quer passar a cobrar uma renda à instituição, pelo edifício onde está sediada, há já cerca de 15 anos.

As medidas foram anunciadas na sequência da nova lei das fundações e apanharam de surpresa Ana Arbués Moreira, directora do Museu: “É uma lei feita às cegas. Não conhecem a fundação, nunca tivemos lucros, pagamos os impostos todos. Temos aquele apoio até ao fim do ano, depois vão cortar nesse apoio e querem que passemos a ser arrendatários do edifício. Isso é que é mais grave.”

Edite Estrela, antiga presidente do município e responsável pela mudança do museu para as actuais instalações, não vê com bons olhos a cobrança de uma renda à fundação.

“É compreensível que a Câmara tenha de cortar parte do apoio financeiro à fundação, mas é impensável que o município queira cobrar uma renda ao Museu do Brinquedo”, critica a actual eurodeputada.

Ana Arbués Moreira adianta à Renascença que será difícil suportar uma renda avultada e, por outro lado, a Câmara não tem destino para dar ao edifício, caso o Museu do Brinquedo tenha de abandonar as instalações.

“[O autarca] Fernando Seara diz que o município não tem forma de providenciar utilização e gestão similar à da fundação, no edifício, seja pela ausência de programação para o efeito, seja pela falta de um acervo material equiparável e pela indisponibilidade de meios técnicos e financeiros e humanos a alocar a uma tal realidade. A Câmara Sintra não tem nada para pôr aqui”, afirma a directora do museu.

Edite Estrela lamenta a situação, alertando que a Câmara de Sintra terá de optar se quer ou não o Museu do Brinquedo na cidade. “É um ex-libris do concelho é uma colecção excepcional”, sublinha.

A directora Ana Arbués Moreira ainda acredita que pode chegar a um acordo com a Câmara para manter o museu em funcionamento, mas lança farpas ao Governo e critica a incoerência das políticas económicas e de turismo: “Por um lado estamos a querer desenvolver o turismo, mas por outro lado estamos a fechar o que pode agradar aos turistas.”

A Renascença tentou obter uma reacção da Câmara de Sintra, mas o gabinete de Fernando Seara prefere não comentar este caso.