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Conflitos na Ucrânia já fizeram mais de cinco mil mortos

23 jan, 2015

Kiev acusa Moscovo de ter nove mil soldados em solo ucraniano. Em resposta, Vladimir Putin culpa as "ordens criminosas" de Poroshenko.

Conflitos na Ucrânia já fizeram mais de cinco mil mortos
Os conflitos entre os separatistas pró-russos e as forças de Kiev, que começaram em Abril do ano passado, já fizeram mais de cinco mil mortos, segundo o último balanço das Nações Unidas.

Do número total de vítimas, 262 foram mortas nos últimos nove dias, o período “mais mortífero” desde o acordo de cessar-fogo assinado a 5 de Setembro.

“A escalada das hostilidades, desde o dia 13 de Janeiro, aumentou as vítimas para 5.086 e receamos que o número real possa ser consideravelmente mais alto”, disse um porta-voz daquela organização, em Genebra.

A violência dos ataques subiu nos últimos dez dias, e, esta sexta-feira, o líder do movimento separatista confirmou os medos da ONU, quando afirmou que vai continuar uma ofensiva militar no leste da Ucrânia e que um cessar-fogo com Kiev está fora de questão.

Também foram contabilizados 11 mil feridos desde Abril, contudo, a organização explica que a falta de informação sobre as vítimas militares não permite divulgar os números concretos de mortos e feridos. 

Moscovo culpa Kiev
As Nações Unidas estão preocupadas “com a presença contínua de combatentes estrangeiros no leste, de que, alegadamente, fazem parte militares da Federação Russa, assim como a presença de artilharia pesada e sofisticada em áreas habitadas sob o controlo de grupos armados”.

Contudo, a Rússia nega qualquer envolvimento no conflito, apesar do Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ter acusado Moscovo de ter 9.000 militares dentro do seu território.

Esta sexta-feira, Vladimir Putin disse que a escalada nos conflitos, nos últimos dias, são o resultado de “ordens criminosas” vindas de Kiev. “As autoridades deram uma ordem oficial para começar operações militares de larga escala praticamente por toda a linha da frente. O resultado são dezenas de mortos e feridos, não só entre as forças armadas dos dois lados, mas também entre civis”, disse o Presidente russo.

“Aqueles que dão ordens criminosas são os responsáveis. As pessoas que estão a fazer isto deviam saber que não há outra maneira para resolver tais conflitos sem ser com conversações de paz e medidas políticas”, acrescentou.

Kiev deu às suas tropas uma ordem de retirada do aeroporto de Donetsk, um dos locais de maior resistência e conflito entre os separatistas e as forças ucranianas.



Também na quarta-feira um autocarro em Donetsk foi atingido por um morteiro e oito civis morreram.

O presidente Petro Poroshenko garantiu que as forças armadas vão continuar a impedir os avanços pró-russos.

O porta-voz da ONU, Rupert Colville, deixou ainda uma crítica a Poroshenko, devido às novas medidas restritivas de circulação, que estão a dificultar a passagem de ajuda humanitária às zonas mais afectadas “por vezes por razões de segurança”, outras “por razões que não são inteiramente claras”.