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Espanha vai tentar impedir por "todos os meios" referendo à independência catalã

16 set, 2014

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol avisou que o Governo usará "toda a lei" para impedir a consulta, incluindo retirar os poderes administrativos à Catalunha.

O ministro dos Negócio Estrangeiros espanhol, José Manuel García-Magallo, anunciou que o Governo espanhol vai tentar impedir o referendo de 9 de Novembro sobre a independência da Catalunha, o que pode passar por suspender as autonomias administrativas na região.

"O Governo utilizará todos os meios a seu alcance, absolutamente todos, incluindo tudo o que for preciso incluir, para evitar a consulta”, disse o ministro em conferência de imprensa. "Aplicaremos só a lei, mas toda a lei", acrescentou, referindo-se à possibilidade de retirar os poderes ao Governo catalão.

Balcanização?
Magallo falou aos jornalistas sobre a resposta do Governo a uma possível convocatória de referendo e da aprovação na próxima sexta-feira do parlamento catalão da lei autónoma de consultas.

Aproveitou ainda para referir o caso escocês, dizendo que se aquele país conseguir a independência, isso será um “precedente de balcanização que é o contrário do processo da União Europeia”, um “precedente péssimo”.

Sublinhou ainda que a Espanha é um exemplo de que é possível duas nações conviverem numa organização política com respeito à diversidade e que “todos e cada um dos espanhóis são proprietários de todos e cada um dos centímetros quadrados do país.”

O presidente catalão, Artur Mas, reagiu rapidamente dizendo que Margallo “não parará o curso da história” da Catalunha e que o caso da Escócia e da Espanha são cenários diferentes.

“Vejam onde chegámos. Com um Governo e um partido que não cumprem leis, chegámos ao ponto de que uma nação como a Escócia consegue votar, porque o Governo do Estado [britânico] permite votar, e outra nação como a Catalunha quer votar e o ministro ameaça suspender a sua autonomia. Isto sim, são dois cenários diferentes”, diz.