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Aquacultura

Pequeno crustáceo é grande oportunidade de negócio

22 jan, 2013 • Manuela Pires

Projecto Aquafood já tem potenciais clientes, mas esbarrou num problema burocrático e está, por agora, parado.

Numa altura em que se fala da necessidade de aproveitar o mar como uma das saídas para a crise, um grupo de jovens decidiu apostar na comercialização da artémia, um pequeno crustáceo que existe junto de salinas e serve de alimento para peixes.

“A artémia, que tem uma utilização muito grande a nível internacional, tem facilidades de exportação, um custo de produção baixo e tem um custo de venda alto”, explica João Saramago Tavares, responsável pelo projecto que nasceu na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Já esteve no Sado e nas salinas do Samouco. É lá que a empresa Aquafood tem cinco hectares de água, mas a extinção da Fundação Salinas do Samouco levou a uma nova paragem do projecto.

“Está parado por este motivo. Não entrámos na fase de comercialização, já conseguimos ter o produto pronto, já conseguimos ter potenciais clientes, o problema é que precisamos de ter garantias de continuidade para conseguirmos fechar contratos”, afirma João Saramago Tavares, em declarações à Renascença.

Neste caso, investidores não faltam. João Saramago Tavares acredita que este negócio dá muito lucro.

“A artémia pode ir para todo o mundo. A artémia viva só pode ser para Portugal e, eventualmente, Espanha, porque é retirada aguenta 24 horas fora de água. Para o resto do mundo temos a artémia congelada e depois há um outro produto da artémia, que são os cistos, os ovos de artémia, que realmente é um produto com muito interesse económico, com um preço de venda por quilo de ronda entre os 400 a 500 euros, é uma coisa muito cara”.

Em Portugal, a Aquafood já tem potenciais clientes, porque até agora para comprar a artémia só mesmo importar dos Estados Unidos, do Brasil ou do Vietname.   

Mas há outras áreas de negócio que estão em curso. O Fórum Empresarial para a Economia do Mar é uma estrutura da Associação Comercial de Lisboa e que define estratégias nesta área.

Entrevistado pela Renascença, Fernando Ribeiro e Castro revela que, nesta altura, a economia do mar é o motor da economia nacional, fala das oportunidades de negócio e da necessidade de políticas públicas e fiscais para atrair novos investimentos.