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"Marcelo deixou de lutar pelo poder a partir do cavaquismo"

04 dez, 2012

Autor da biografia de Marcelo Rebelo de Sousa considera que o professor “não precisa do PSD para se candidatar” às eleições presidenciais de 2016. 

"Marcelo deixou de lutar pelo poder a partir do cavaquismo"

Marcelo Rebelo de Sousa deixou de “lutar pelo poder” depois do congresso do PSD de 1985, onde Cavaco Silva foi à Figueira da Foz fazer a “rodagem ao carro” e acabou líder do partido. A convicção é manifestada à Renascença pelo jornalista Vítor Matos, o autor da biografia de Marcelo Rebelo de Sousa, que acaba de ser lançada.

“O que surpreende é ele deixar de lutar pelo poder, sobretudo, a partir de 1985, do cavaquismo”, sustenta. A partir daí, “são coisas que lhe surgem, que lhe aparecem ou é empurrado, ele já não está a criar condições e a lutar objectivamente para que isso aconteça”, frisa.

Vítor Matos revela que, antes de partir para esse congresso da Figueira, Marcelo Rebelo de Sousa “tem uma conversa com os filhos e diz que pode voltar de lá líder do PSD: ‘o pai vai, mas pode ser candidato e voltar de lá presidente do partido’”.

No final do congresso, refere o autor, Marcelo Rebelo de Sousa disse a Morais Sarmento, “vamos ter Cavaco Silva durante dez anos e eu vou estar fora disto”.

Houve sempre um distanciamento entre Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva, diz Vítor Matos, porque Marcelo “não o apoiou claramente no congresso” da Figueira da Foz.

“Eles têm um passado antes disso e Cavaco Silva, tendo em conta o perfil que nós conhecemos dele, desconfiava profundamente de uma figura como Marcelo Rebelo de Sousa, que é um espalha brasas.”

Estes são alguns dos episódios relatados na biografia de Marcelo Rebelo de Sousa, um homem educado para a política, que quis ser primeiro-ministro, poderá vir a ser candidato a Presidente da República e esteve em quase todas as batalhas do PSD, que haveria de liderar entre 1996 e 1999.

Vítor Matos destaca o facto de Marcelo “estar presente na opinião pública desde os anos 70” e de os seus comentários políticos terem “um peso equivalente a organizações formais”, como partidos políticos ou sindicatos.

As próximas eleições presidenciais estão marcadas para 2016. O autor da biografia do professor considera que Marcelo Rebelo de Sousa “não precisa do PSD para se candidatar”, porque “tem hoje uma transversalidade tal na sociedade portuguesa que podia ter uma candidatura suprapartidária”.