Tempo
|

1 de Dezembro

António Costa compara 1640 a hoje. Perda direitos também parecia "inevitável"

01 dez, 2012

Presidente da Câmara de Lisboa classifica a actual crise de “crise moral”, que pode gerar revolta e violência, e defende que “ser patriota hoje é acreditar em Portugal e nos portugueses".

António Costa compara 1640 a hoje. Perda direitos também parecia "inevitável"
António Costa compara 1640 a hoje. Perda direitos também parecia "inevitável"
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa falava durante a habitual cerimónia que assinala esta data, na Praça dos Restauradores, e sublinhou que nos dias de hoje, tal como em 1640, é fundamental os portugueses reafirmarem o seu patriotismo. António Costa afirmou que a autarquia continuará a associar-se às comemorações, convidando também todos os municípios que se queiram associar, através da realização de um festival nacional de bandas filarmónicas.
O Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, comparou, este sábado, os desafios que se colocavam ao país em 1640 com aqueles que o país hoje enfrenta e defendeu ser preciso acreditar noutras realidades que não apenas na que é imposta.

“Ontem, como hoje, houve sempre quem achasse que a melhor maneira de defendermos os nossos direitos é desistir deles ou entregar a outros a sua defesa; ontem como hoje, houve sempre quem pensasse que os outros nos governam melhor do que nós nos governamos; hoje como ontem, houve sempre quem defendesse que mais vale desistir do que resistir, calar em vez de exigir; ontem como hoje, houve sempre quem se vergasse à realidade em vez de construir uma nova”, afirmou o autarca na Praça dos Restauradores, em Lisboa, onde decorreu a cerimónia de celebração da Restauração da Independência.

Sobre o fim do dia feriado, António Costa garantiu que a capital vai continuar a celebrar o dia e defendeu que, em 1640, também "muitos consideravam inevitável a perda da independência" e de direitos.

"Entre 1580 e 1640, também muitos consideravam inevitável a perda da independência da pátria. Chamavam a isso uma realidade a que não se podia fugir e chamavam irrealistas àqueles que não a aceitavam", declarou.

Em seu entender, o país está hoje confortado com "uma crise que, antes de ser económica, é moral".

"Crises como esta geram frequentemente um clima de 'salve-se quem puder' e um sentimento de impotência. Ou então de revolta e violência. Para os prevenir, temos, em cada momento, de reafirmar o nosso sentido de pertença e de partilha, renovando o nosso patriotismo e uma exigente exemplaridade cívica e democrática", sustentou.

“Hoje, ser português e patriota é querer um país em que todos gostem de viver, que não tire a dignidade aos mais velhos, nem a esperança aos mais novos. Hoje, ser português e patriota, é lembrarmo-nos que, quando o país esteve em perigo, foram os portugueses que melhor o defenderam. Ser patriota hoje é acreditar em Portugal e nos portugueses", declarou ainda António Costa.