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Uma casa que acolhe a vida

10 fev, 2012 • Dora Pires

Cinco anos depois do referendo que legalizou o aborto, a Casa de Santa Isabel já foi uma alternativa real para 85 mulheres, muitas menores, que aqui foram acolhidas.  

Uma casa que acolhe a vida
Na baixa de Lisboa existe uma casa que acolhe e apoia mulheres grávidas, quase sempre muito jovens, que estiveram muito perto de abortar.

A Casa de Santa Isabel pretende ser uma verdadeira casa, uma verdadeira família e uma alternativa. E está cheia de crianças:

A Maria que é a mais nova da casa, mal se vê numa nuvem de tecido. A mãe conta que sozinha, com uma filha de sete anos e dependente de droga, pensou abortar a segunda filha mas à porta da clínica recebeu uma promessa de apoio.

“Entrei na clínica mas depois saí porque me disseram que tinha 14 semanas e já não dava. Fiquei um pouco desesperada mas depois uma senhora veio ter comigo e trouxe-me cá. Tive uma entrevista com a tia Fernanda [responsável pela casa] e fiquei. Estou cá desde Junho”.

A sensação de segurança é o laço mais forte que liga Ana, de 22 anos e as suas duas filhas a esta casa. Manuela, de 18 anos chegou ainda menor, sinalizada pela Comissão e Protecção de Crianças e Jovens em Risco com uma filha de 11 dias ao colo directamente da maternidade: “Estive cá uma primeira vez mas fui-me embora. Depois da segunda vez já vim com a minha filha e vai fazer sete meses”.

O tempo de permanência depende do tempo necessário para recuperarem a autonomia e a capacidade de começarem ou recuperarem uma vida normal. Fernanda Ludovice, directora da Casa de Santa Isabel gere esse tempo, mais o espaço: “Com base nos nossos números, por cada mãe que acolhemos ficam cinco ou seis por acolher”.

Aqui a lotação está sempre esgotada, não dá para mais que dez mães. Mas já por aqui passaram 85 desde 2003.

O gabinete de apoio a inaugurar em Alcantara no sábado, quinto aniversário do referendo que legalizou o aborto em Portugal, é outra porta que se abre.