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Passos recusa "pôr em causa o país" com reestruturação da dívida

11 mar, 2014

Chefe do Governo "atira-se" aos subscritores do manifesto que pede a reestruturação da dívida, considerando que o documento “envia a mensagem errada aos que confiam no país”.

Passos recusa "pôr em causa o país" com reestruturação da dívida

O primeiro-ministro criticou, esta terça-feira, duramente, os subscritores do manifesto que pede a reestruturação da dívida, acusando-os de “irrealismo” e de porem em causa financiamento do país.

“Se eu hoje quisesse pôr em causa o financiamento do país, subscreveria o manifesto”, afirmou Passos Coelho, durante o discurso com que inaugurou a nova sede da Policia Judiciária, em Lisboa.

Para o chefe do Governo, o documento “envia a mensagem errada aos que confiam no país”, pondo em causa o financiamento de Portugal e acabando, também, “por pôr em causa o Estado Social”.

“Nem sempre aquilo que consideramos ideal se pode concretizar da forma que achamos mais fácil ou mais óbvia”, disse ainda o primeiro-ministro.

O manifesto, assinado por 70 personalidades da esquerda à direita, alega que, sem a reestruturação da dívida, a política da austeridade vai continuar e não vai ser possível promover o crescimento e o emprego.

No manifesto, defende-se que, sem a reestruturação da dívida, vai continuar a imperar a política da austeridade pela austeridade, impeditiva da criação de emprego, e considera-se insustentável o actual valor da dívida pública. No final do ano passado, o rácio rondava os 130% do PIB.

Sem a reestruturação, vaticinam os subscritores, o Estado vai continuar enredado na vã tentativa de resolver os problemas pela via única da austeridade, situação que vai conduzir à degradação dos serviços públicos, à queda da procura, ao aumento do desemprego e ao definhamento económico.

O teor do documento é antecipado esta terça-feira pelo jornal “Público”, segundo o qual o documento inclui as assinaturas de personalidades como Adriano Moreira, Bagão Félix Manuela Ferreira Leite, João Cravinho, Carvalho da Silva, Francisco Louçã, Ferro Rodrigues e Manuela Arcanjo.