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Biodiversidade

Banco de sementes para futuras gerações

09 dez, 2013 • Olímpia Mairos

Associação percorre o país à procura das sementes tradicionais para travar a perda da biodiversidade agrícola. Banco de sementes conta com mais de duas mil variedades em vias de extinção.

A Associação Colher para Semear (ACPS) está a proceder a um levantamento das mais diversas variedades de sementes, no sentido de evitar a perda da biodiversidade agrícola em Portugal e a nível mundial.

"Gostaríamos que as espécies de sementes tradicionais de cada região pudessem voltar a ser comercializadas, em detrimento de espécies híbridas que estão a circular no mercado", explica à Renascença Graça Ribeiro, dirigente da ACPS.

Portugal é um país "rico" do ponto de vista da biodiversidade, mas "muitas das espécies de sementes estão em vias de extinção e a cada ano que passa muito deste património agrícola se perde", acrescenta a responsável.

Os especialistas consideram que basta parar o cultivo de espécies agrícolas autóctones durante quatro ou cinco anos, para se perder a sua semente e a referência de produtos agrícolas de "excelente qualidade alimentar".

Para precaver "a escassez deste património" que assenta na biodiversidade agrícola de cada região, a associação tem percorrido diversas zonas do país na recolha e catalogação de sementes em vias de extinção. Este ano, esse trabalho está concentrado no concelho de Vimioso, numa acção em parceria com a Associação ALDEIA.

Como exemplo de recuperação das espécies de sementes, Graça Ribeiro salienta a cultura do chícharo, uma leguminosa que estava em vias de extinção. “Estava associada à pobreza e agora está em franca recuperação, dado o seu potencial alimentar”, realça.

A Associação Colher para Semear tem criado um banco de sementes que conta com mais de 2.000 variedades, oriundas de diversas regiões do país, e elabora anualmente um catálogo para distribuir aos mais de 500 associados.

"Deste catálogo, os nossos associados escolhem um certo número de variedades para cultivo e depois devolvem à associação parte das colheitas das sementes, para que sejam guardadas para futuras gerações", realça Graça Ribeiro.