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Nuno Crato toma decisões "ao sabor do vento"

23 set, 2013

Ministro da Educação quer que os alunos do 1º ciclo passem a ter inglês como disciplina curricular obrigatória, tendo pedido ajuda ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para pensar como fazer a mudança.

As federações sindicais de professores criticam o ministro da Educação, por "fazer anúncios ao sabor do vento", depois ter dito que quer o inglês como uma disciplina curricular obrigatória no 1.º ciclo do ensino básico.

"Andamos em ziguezague. Primeiro, o ministro criou a prova de diagnóstico de inglês no 9.º ano. Depois acabou com a obrigatoriedade da oferta do inglês nas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo. Hoje quer que a disciplina seja obrigatória no currículo do 1.º ciclo. Gostávamos de saber em que podemos acreditar. Era conveniente que estas coisas não fossem ditas ao sabor do vento e houvesse estratégia concertada com os parceiros que desse confiança às famílias e professores", disse à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva.

O ministro da Educação anunciou que quer que os alunos do 1º ciclo passem a ter inglês como disciplina curricular obrigatória, tendo pedido ajuda ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para pensar como fazer a mudança. Nuno Crato explicou que o inglês ainda não é obrigatório para os alunos do 1º ciclo porque essa mudança no programa curricular terá "implicações no 2º e no 3º ciclo".

Dias da Silva criticou o ministro por "fazer anúncios sem se preparar e sem falar com os parceiros", sublinhando que neste momento as escolas não têm recursos para tornar o ensino de inglês obrigatório e universal no 1.º ciclo.

E as escolas têm recursos?
"Nuno Crato tem de entender-se consigo mesmo, porque isto assim não é nada", afirmou, por seu lado, o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, que também entende que as intenções do ministro podem esbarrar com a falta de recursos das escolas.

"Já nos vamos habituando que o ministro vá dizendo coisas sem as clarificar", acrescentou, defendo que as alterações curriculares "deviam merecer um grande debate nacional" e não podem continuar a suceder-se todos os anos.

A Fenprof considera que o ensino do inglês no 1.º ciclo poderia ser obrigatório a partir do 1.º ano, mas entende que a decisão de o concretizar não pode resultar de "um palpite" do ministro da Educação, mas sim da discussão do tema por especialistas.

Dias da Silva, recordando a prova de diagnóstico que Nuno Crato instituiu para o 9.º ano de escolaridade na disciplina de inglês, afirmou que "não estão criadas condições nas escolas para que os alunos aprendam a língua", criticando o facto de no 8.º e 9.º haver apenas a obrigatoriedade de ensinar a língua inglesa 90 minutos por semana, algo que o secretário-geral da FNE considera insuficiente.