Escolas recorrem a plano de substituição para ocupar alunos

16 set, 2013

Até ao final da semana, os directores das escolas esperam ter os horários dos professores todos preenchidos. Ainda faltam mais de mil docente, mas hoje é o último dia para a abertura do novo ano lectivo.

Os directores escolares estão a suprir o atraso na colocação de professores com os docentes que asseguram as aulas de substituição e actividades que preencham os tempos lectivos em branco.

"Faltam preencher 1.991 horários, são mil professores, o que preocupa os directores, esperamos que esta semana haja colocações", disse o vice-presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas (ANDAEP), Filinto Lima.

"As escolas públicas têm um plano de substituição e enquanto os professores não são colocados, os alunos ficam com o professor das aulas de substituição", afirmou o dirigente, recordando tratar-se de uma medida introduzida por Maria de Lurdes Rodrigues quando tutelou a pasta de Educação.

Filinto Lima explicou que as escolas têm professores com horas não lectivas destinadas a assegurar durante o ano as aulas em que um colega falta. Não sendo obrigatoriamente professores da disciplina, acabam por falar com os alunos de questões relacionadas com a cidadania ou desenvolver outras actividades.

FNE fala de instabilidade nas escolas
A Federação Nacional de Educação (FNE) acusa o Ministério da Educação de ser responsável pela instabilidade no arranque de ano lectivo ao dar orientações contrárias e "à última da hora" às direcções escolares.

"Criticamos fortemente as condições que foram dadas às direcções das escolas para prepararem o ano lectivo. As orientações foram dadas à última da hora: um dia eram num sentido e no dia a seguir eram noutro. Houve falta de planificação adequada e atempada para que as direcções pudessem preparar, com estabilidade, o novo ano lectivo", afirmou João Dias da Silva, presidente da FNE.

Nestas declarações criticou ainda o MEC pela "falta de precisão e clareza" relativamente às indicações dadas, considerando que outro tipo de orientações, "poderia ter evitado a situação" que se tem vivido nos estabelecimentos de ensino.

Entre os "vários sinais preocupantes", o presidente da FNE lembrou o processo de colocação de docentes, a falta de "garantia de que todos os alunos tivessem professores desde o primeiro momento em que o ano lectivo começa" ou os alunos que foram colocados em contentores.