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PCP quer saber que papel teve Passos Coelho no negócio do BPN

16 jul, 2012

Mira Amaral disse à comissão de inquérito que Passos Coelho tinha intercedido junto do Governo de Luanda, Honório Novo diz que o envolvimento “carece de explicação”.

PCP quer saber que papel teve Passos Coelho no negócio do BPN
O PCP já apresentou o questionário endereçado ao primeiro-ministro, para esclarecer a intervenção de Pedro Passos Coelho no âmbito do processo de reprivatização do BPN e da venda por 40 milhões de euros ao BIC.

Depois das declarações de Mira Amaral na comissão de inquérito que está a analisar o processo o deputado Honório Novo entende que é preciso esclarecer sobretudo que cedências ou contrapartidas foram oferecidas pelo Governo, bem como os motivos que levaram Passos Coelho a recorrer ao ministro de Estado do Governo angolano para que o presidente do BIC-Angola viesse a Lisboa para uma reunião.

“Naturalmente é lícito mas carece de explicação, sobretudo sobre aquilo que eram as contrapartidas que o primeiro-ministro ofereceu ao BIC, que não pudessem também ser oferecidas pela secretária de Estado do Tesouro, que falava em nome do Governo”, considera Honório Novo.

“Por outro lado também nos parece estranho que haja intercedência junto do Governo de Angola. A que propósito? Se o primeiro-ministro telefonou ao engenheiro Mira Amaral para o convocar para uma reunião a 23 de Novembro, que falhou, por que razão, se queria fazer uma nova tentativa, não telefonou novamente a Mira Amaral ou ao Fernando Telles, presidente do BIC-Angola, e teve necessidade de fazer esta intermediação.”

Na última Sexta-feira Mira Amaral disse à comissão de inquérito que Pedro Passos Coelho tinha estado envolvido no processo. O certo é que, depois desses contactos, o negócio da venda do BPN ao BIC acabou por se concretizar.

“A explicação tem de ser dada pelo primeiro-ministro para ver se é suficiente no nosso juízo”, conclui o deputado comunista.