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Pagar ou não pagar impostos. Conheça o caso da Noruega

31 jan, 2012 • Pedro Mesquita

Montante da evasão fiscal em Portugal dava para acabar com o défice e desistir da ajuda externa.

Os noruegueses pagam mais impostos do que os portugueses, mas não se queixam, pois sentem-se compensados. Em Portugal, a economia paralela representa 25% da riqueza produzida e o valor que escapa ao Erário Público (33 mil milhões de euros) dava para acabar com o défice e resolver boa parte dos problemas financeiros, sem recurso a ajuda externa.

O bom funcionamento da máquina fiscal faz a diferença: “Os noruegueses exigem a factura sempre. Há um grande receio em não se passar factura, porque as penalizações são bastante elevadas. É um risco que os noruegueses não gostam muito de correr”, conta à Renascença José Aurélio Rodrigues, que viveu 14 anos na Noruega, onde é proprietário de uma empresa de traduções, com filial em Portugal.

A carga fiscal é pesada na Noruega, com o IVA nos 25% há vários anos, mas o sistema de contabilidade norueguês não permite grandes fugas: o fisco toma conhecimento das transacções quase em directo.

Além disso, as acções de fiscalização são quase uma rotina.

“A fiscalização é bastante apertada. Em Portugal, tenho uma empresa e nunca fui alvo de fiscalização, mas lá já fui várias vezes”, revela o empresário português, para quem os noruegueses são mais cumpridores que os portugueses porque se sentem realmente protegidos pelo denominado Estado Social.

“Há uma canalização dos impostos para uma realidade que é muito mais funcional para todos, são canalizados para fins que eu acho correctos, ao nível da Segurança Social, por exemplo”, afirma.